Arquivo de maio, 2012

 

Pagu

Mexo, remexo na inquisição
Só quem já morreu na fogueira
Sabe o que é ser carvão

Eu sou pau prá toda obra
Deus dá asas à minha cobra
Hum! Hum! Hum! Hum!
Minha força não é bruta
Não sou freira
Nem sou puta…

Porque nem!
Toda feiticeira é corcunda
Nem!
Toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho
Que muito homem     2X

Sou rainha do meu tanque
Sou Pagu indignada no palanque
Hanhan! Ah! Hanran!
Uh! Uh!
Fama de porra louca
Tudo bem!
Minha mãe é Maria Ninguém
Uh! Uh!…

Não sou atriz
Modelo, dançarina
Meu buraco é mais em cima
Refrão  3X

Ai, Que Saudades da Amélia

Mário Lago

Nunca vi fazer tanta exigência

Nem fazer o que você me faz

Você não sabe o que é consciência

Nem vê que eu sou um pobre rapaz

Você só pensa em luxo e riqueza

Tudo o que você vê, você quer

Ai, meu Deus, que saudade da Amélia

Aquilo sim é que era mulher

 

Às vezes passava fome ao meu lado

E achava bonito não ter o que comer

Quando me via contrariado

Dizia: “Meu filho, o que se há de fazer!”

Amélia não tinha a menor vaidade

Amélia é que era mulher de verdade

Atividade

 

  1. Na  música “Pagu” quais são os valores questionado como relação a como a sociedade espera que a mulher se comporte?

 

  1. O que Rita lee quis dizer no seguinte trecho:

Minha força não é bruta
Não sou freira
Nem sou puta…

  1. Qual a diferença  da  Amélia ( Musica ai que saudade da Amélia)  para a mulher representada na musica Pagu  ?
  2. Nos dias atuais qual é o perfil de mulher mais encontrado “Amélia” ou” Pagu”? Explique sua resposta.

 

Quem Foi Pagu ?

Patrícia Rehder Galvão, conhecida pelo pseudônimo de Pagu, (São João da Boa Vista, 9 de junho de 1910 — Santos, 12 de dezembro de 1962) foi uma escritora e jornalista brasileira. Militante comunista , teve grande destaque no movimento modernista iniciado na década de 20.Pagú presencia, ainda que muito jovem – tinha à época 12 anos – a Semana de Arte Moderna de 1922 e o início do movimento modernista, do qual mais tarde iria participar. Em 1925, com quinze anos, passa a colaborar no Brás Jornal, assinando Patsy.

 

Com 18 anos, mal completara o Curso na Escola Normal da Capital, em São Paulo e já está integrada ao movimento antropofágico, de cunho modernista, sob a influência de Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral. É logo considerada a musa do movimento.

Em 1935 é presa em Paris como comunista estrangeira, com identidade falsa, e é repatriada para o Brasil;. Separa-se definitivamente de Oswald, retoma a atividade jornalística, mas é novamente presa e torturada, ficando na cadeia por cinco anos.

Gênero e desigualdade

“Um caminho dentro da Sociologia para se analisar “as origens das diferenças de gênero é estudar a socialização do gênero, a aprendizagem de papéis do gênero com o auxílio de organismos sociais, como a família e a mídia. Essa abordagem faz distinção entre sexo biológico e gênero social – uma criança nasce com o primeiro e desenvolve o segundo. Pelo contato com vários organismos sociais, tanto primários como secundários, as crianças internalizam gradualmente as normas e as expectativas sociais que são percebidas como correspondentes ao seu sexo. As diferenças de gênero não são biologicamente determinadas, são culturalmente produzidas. De acordo com essa visão, as desigualdades de gênero surgem porque homens e mulheres são socializados em papéis diferentes.” Na socialização do gênero “meninos e meninas são guiados por “sanções” positivas e negativas, forças socialmente aplicadas que recompensam ou restringem o comportamento. Por exemplo, um menino poderia ser sancionado positivamente em seu comportamento (“Que menino valente você é!”), ou ser alvo de sanções negativas (“Meninos não brincam com bonecas”). Essas afirmações positivas e negativas ajudam meninos e meninas a aprender os papéis sociais esperados e a adequar-se a eles.”

Essa interpretação dos papéis sexuais e da socialização foi criticada e muitos escritores argumentam que “a socialização de gênero não é por si mesma um processo tranqüilo: diferentes organismos como a família, as escolas e outros núcleos de agrupamento talvez estejam em divergência com outros.

Além disso, as teorias de socialização ignoram a capacidade dos indivíduos de rejeitar ou modificar as expectativas sociais acerca dos papéis sexuais.”… “Embora convenha nutrir certo ceticismo com relação a qualquer adoção indiscriminada da abordagem que postula os papéis dos sexos, muitos estudos mostram que, em certa medida, as identidades de gênero são resultados de influências sociais”.

“As influências sociais na identidade de gênero fluem por meio de diversos canais;”… “ Estudos sobre as interações entre pais e filhos, por exemplo, mostram diferenças distintas no tratamento de meninos e meninas, mesmo quando os pais acreditam que suas reações para ambos sejam iguais. Os brinquedos, os livros ilustrados e os programas de televisão experienciados por crianças tendem a enfatizar diferenças entre os atributos masculinos e femininos. Embora a situação, de alguma forma, esteja mudando, os personagens masculinos em geral superam em número os femininos na maior parte dos livros infantis, contos de fadas, programas de televisão e filmes. Os personagens masculinos tendem a representar papéis mais ativos e aventurosos, enquanto os femininos são retratados passivos, esperançosos e voltados à vida doméstica. Pesquisadoras feministas demonstraram como produtos culturais e de mídia, comercializados para audiências jovens, encarnam atitudes tradicionais para com o gênero e os tipos de objetivos e ambições esperados em meninos e meninas.”

1.Qual a diferença entre sexo biológico e gênero social?

2.O que o autor quer dizer quando afirma que as crianças nascem com um sexo biológico e desenvolvem ao longo de sua vida um gênero social?

3.Segundo o texto como são produzidas as diferenças de gênero?

4.Qual o papel dos pais na formulação desigualdade entre os  gênero social?                                                                    

5.Qual o papel da mídia (radio, tv, filmes) na formulação da  desigualdade entre os  gênero social?                 

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Ética e Política

Publicado: maio 19, 2012 em Política

O Analfabeto Político

Bertolt Brecht

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

 

Questões sobre o texto

1. Por que o preço do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas?

2. Como você vê o fato de alguém odiar a política?

3. Quais as características de um analfabeto político?

4. Bertold Brecht também disse que “o pior de todos os bandidos é o político vigarista, pilantra…”. Como podemos interpretar essa afirmação do autor?

5. O que fazer quando ficamos sabendo que um político está agindo desonestamente?

Frase Para refletir sobre a escolha de nossos Candidatos nestas eleições.

“quem compra votos ou desvia recursos públicos para ser eleito anuncia a maneira incorreta como norteará seu mandato”.

“Todos sabemos que o candidato capaz de oferecer bens ou vantagens em troca de votos revela, por esse simples gesto, ser capaz de toda sorte de improbidades para atingir o poder. E se age assim durante a eleição, como agirá se for eleito?”

“Tudo deve começar, entretanto, pela convicção de que vender o voto não é um ato de “esperteza”, assim como o de votar efetivamente em quem compra votos não é sinônimo de “lealdade”. O que está em jogo nas eleições é o poder de liderar a comunidade e de definir o destino dos recursos públicos. Receber uma pequena oferta material e levar o corruptor ao comando de milhões de reais em verbas públicas não é uma atitude muito racional, não acha?

Questões

1.Você já testemunhou atos de compra de votos?

2.O candidato que pratica corrupção eleitoral poderá exercer honestamente

o seu mandato?

3.Como identificar candidatos que, se eleitos, desviarão o dinheiro público?

Em quem votar?

 

Pe. Carlos Alberto Chiquim

A sociedade brasileira está profundamente indignada com a falta de ética na política e com a corrupção generalizada. Aliás, a sociedade como um todo vive uma grave crise moral. Às vésperas das eleições assistimos tiroteios para todos os lados, acusações, denúncias e os tão conhecidos acordos para as definições de candidaturas. Em meio a tantas disputas faz-se necessário estabelecer critérios claros para orientar o discernimento dos eleitores.

A corrupção eleitoral ainda é um problema enraizado na mentalidade do nosso povo. Os eleitores carecem de educação para a cidadania. Muitos acham normal a troca do voto por algum favor do candidato. É preciso instalar uma nova consciência política iluminada pelo lema que mobilizou os movimentos sociais nos últimos anos: “voto não tem preço, tem conseqüências”.

Tal situação não deve ser causa de desesperança. Antes de tudo é necessário valorizar o voto que irá decidir a vida pública de nosso País e de nossos Estados nos próximos anos. O voto é precioso, não se compra. Nele se manifesta a liberdade e a decisão de cada eleitor. O compromisso com a constante superação da distorção da compra de votos, começando com as nossas práticas políticas, é um bom critério para eleger candidatos que ocuparão cargos públicos.

É fundamental o discernimento a respeito do perfil ético e das verdadeiras motivações daqueles que se apresentam como candidatos. Há algumas questões fundamentais: por que aspiram ao poder? Por que querem se manter no poder? Qual a prática do poder como serviço ao bem comum?

Os critérios desta escolha devem levar em consideração tanto a honestidade pessoal, quanto de competência administrativa, voltada aos interesses da coletividade. Os bons parlamentares e gestores públicos primam pelos compromissos honrados, sempre em estreita ligação com as necessidades reais da população. A transparência é fundamental na vida daquele que pleiteia ou exerce um cargo eletivo.

Faz-se necessário tomar cuidado com os candidatos despreparados em cujas plataforma camuflam interesses particulares ou de pequenos grupos. São os candidatos incapazes de apresentar metas claras de governo e políticas públicas consistentes. Nesse rol encontram-se os candidatos oportunistas, sem compromissos com partidos ou que utilizam as suas siglas para ganhar as eleições. Eles têm como prática a compra de votos, sem escrúpulos. Prometem favores, e por isso se transformam em líderes políticos hábeis e com longa experiência na arte de enganar os eleitores. Acostumam mal o povo, fazendo dele refém, dependente de esmolas e promessas de benefícios imediatos.

Diante desse contexto é bom desconfiar de candidatos sustentados por campanhas financeiras vultuosas que facilitam a compra de votos, pois eles podem tentar recuperar, de alguma forma, utilizado o seu mandato eletivo, o investimento realizado.

Aspectos que merecem atenção especial são informações sobre o candidato: quem são eles, sua origem política, o que já realizaram em prol da população, qual é a sua história, quais são suas propostas, se estão vinculadas ao programa do Partido ou se estão atreladas apenas a grupos de interesses financeiros. Sinais indicadores de verdadeiras motivações dos candidatos são a honestidade e a competência demonstradas pelos serviços prestados com transparência administrativa e financeira.

A próxima eleição será uma excelente oportunidade para garantirmos vida com dignidade para toda a população. O direito do voto exercido com cidadania é a força transformadora da sociedade. Até quando ficaremos reféns de grupos que dominam o poder e exercem mandatos eletivos pensando, apenas, nos interesses pessoais e corporativos? A sociedade brasileira é chamada a participar. A valorizar seu voto. A eleger pessoas que defendam os interesses da nação brasileira. Somente ampliando as formas de participação de cidadãos e cidadãs, construiremos uma nação livre, democrática e autônoma, nos níveis estaduais e nacionais.

 

Questões sobre o texto

1. Segundo o texto. Qual o comportamento do eleitor brasileiro deve ser desestimulado? Por que?

2. Segundo o autor, por que o nosso voto deve ser valorizado? Você concorda com ele?

3. Ainda segundo o texto, quais são os critérios que devem ser utilizado para escolher nossos candidatos?

4. Qual o perfil do candidato deve ser evitado, na hora do voto?

5. Quais são as informações que devem ser observadas sobre nossos  candidatos?

 

 

 Existe alguma confusão entre o Conceito de Moral e o Conceito de Ética. A etimologia destes termos ajuda a distingui-los, sendo que Ética vem do grego “ethos” que significa modo de ser, e Moral tem sua origem no latim, que vem de “mores”, significando costumes.

Esta confusão pode ser resolvida com o estudo em paralelo dos dois temas, sendo que Moral é um conjunto de normas que regulam o comportamento do homem em sociedade, e estas normas são adquiridas pela educação, pela tradição e pelo cotidiano. É a “ciência dos costumes”. A Moral tem caráter normativo e obrigatório.

Já a Ética é “conjunto de valores que orientam o comportamento do homem em relação aos outros homens na sociedade em que vive, garantindo, assim, o bem-estar social”, ou seja, Ética é a forma que o homem deve se comportar no seu meio social.

A Moral sempre existiu, pois todo ser humano possui a consciência Moral que o leva a distinguir o bem do mal no contexto em que vive. Surgindo realmente quando o homem passou a fazer parte de agrupamentos, isto é, surgiu nas sociedades primitivas, nas primeiras tribos. A Ética teria surgido com Sócrates, pois se exige maior grau de cultura. Ela investiga e explica as normas morais, pois leva o homem a agir não só por tradição, educação ou hábito, mas principalmente por convicção e inteligência. Ou seja, enquanto a Ética é teórica e reflexiva, a Moral é eminentemente prática. Uma completa a outra.

Ética no Brasil

 

“Na atual sociedade brasileira, muitos setores defendem a ética como se esta fosse a solução para todos os problemas brasileiros. Acontece, que no dia-a-dia, muitos daqueles que pregam a defesa da ética são os primeiros a desrespeitá-la. A todo momento, pessoas querem levar vantagem em relação as demais pessoas, seja nas pequenas coisas ou mesmo nas grandes coisas. A solução dos problemas brasileiros não está relacionada apenas com a observância da ética, mas também com a prática. As pessoas devem dar exemplo, ser exemplos, ao invés de ficarem apenas criticando, e na primeira oportunidade que tiverem fazerem o inverso daquilo que tem defendido”. Muda Brasil.

Questões sobre o texto:

  1. Segundo o texto o que é ética?
  2. Qual a diferencia entre ética e moral?
  3. Depois de ter lido o texto, explique com suas palavras o que é ser um cidadão ético?
  4. Quais são as atitudes que vedemos tomar para que sejamos um país ético?

 Só de Sacanagem – Elisa Lucinda

Meu coração está aos pulos!

Quantas vezes minha esperança será posta à prova?

Por quantas provas terá ela que passar? Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu, do nosso dinheiro que reservamos duramente para educar os meninos mais pobres que nós, para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.

Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova? Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?

É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.

Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam: “Não roubarás”, “Devolva o lápis do coleguinha”, “Esse apontador não é seu, minha filha”. Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar. Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará. Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda vou ficar.

Só de sacanagem! Dirão: “Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo mundo rouba” e vou dizer: “Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau.”

Dirão: “É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal”. Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal. Eu repito, ouviram? Imortal! Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente quiser, vai dar para mudar o final!

QUESTÕES

1.  De que realidade de nosso país este texto trata?

2. Como são colocados no texto os ensinamentos dos pais e em que diferem do comportamento do brasileiro de forma geral?

3.   Como a autora diz que vai se rebelar contra toda essa situação descrita no texto?

4.    Você entende a postura adotada pela autora como uma postura ética? Por que?

 

Olá Parceiro … Tudo bem?

Em nosso segundo encontro trataremos de um tema que infelizmente, ainda faz parte de nossa realidade social, a Desigualdade de Gênero, ou seja , entre homens e mulheres . Mesmo no século XXI com o “homem” tendo ido ao espaço, até mesmo fazendo projetos de povoar a lua, a ciência declarando a cura de grande parte das doenças que dizimavam a humanidade até bem pouco tempo atrás e demais inovações cientificas que nos coloca em uma condição singular de progresso , a necessidade de formular uma lei que proíbe o esposo/marido de bater em sua companheira, a lei Maria da Penha , assusta e nos faz refletir sobre o modelo de sociedade que construímos até aqui.
Mas a violência física não é a única face do preconceito que abominavelmente existe contra as mulheres, em especial no Brasil. As brasileiras enfrentam ainda grandes restrições no mercado de trabalho, por parte de uma estrutura organizacional com um número significativo de empresas que se recusam a promover mulheres para cargos de chefia, pois pelo simples fato de serem mulheres têm sua competência questionada, por um possível chefe machista. Fato que pode ser comprovado ao analisarmos estatísticas como as apresentadas nas tabelas abaixo, que mostram que as mulheres, mesmo tendo mais anos de estudos do que os homens recebem salários menores que estes.

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Também na política podemos observar um quadro de sub-representação das mulheres em cargos eletivos nas esferas Municipais, Estaduais e federais tanto no poder executivo quanto no legislativo e judiciário. Como consequência deste quadro temos uma menor atenção por parte de nossos representantes frente à problemas que atingem exclusivamente a vida das mulheres como violência doméstica , discriminação no mercado de trabalho, saúde da mulher , vida reprodutiva e a própria inclusão das mulheres em cargos públicos, ou seja, um ciclo que exclui a mulher em diversos campos de sua vida. Você deve estar se perguntando, principalmente os homens com alguma inclinação ao machismo, mas não temos uma prefeita e uma presidenta?
Bom, sim é isso é ótimo, mas o fato de um individuo, historicamente excluído, chegar a uma posição de poder não põem fim ao problema. Quem teorizou sobre este assunto e tinha uma boa visão sobre o tema foi o Sociólogo Francês Pierre de Bourdiue que classificou tal situação como “a exceção que legitima a regra”, ou seja, o fato de uma pessoa de uma determinada minoria social chegar ao poder, não significa a inclusão de todos , e tal situação de exceção pode até motivar o preconceito, pois o indivíduo nesta situação, geralmente, enfrenta cobranças muito mais duras do que um individuo que historicamente esteve sempre naquela posição. Neste caso se a governanta faz algo que não agrada a maioria ou cometa um erro grave, sua incompetência, por muitos com mentalidade machista inclusive outras mulheres, é associada a sua condição de mulher, já quando um homem comete os mesmos equívocos não é feita essa mesma associação.

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Assista o Vídeo: Acorda Raimundo .

Publicado: maio 16, 2012 em Raça

Racismo é Burice(Gabriel Pensador )

Salve, meus irmãos africanos e lusitanos,

do outro lado do oceano

“O Atlântico é pequeno pra nos separar, porque o

sangue é mais forte que a água do mar”

Racismo, preconceito e discriminação em geral;

É uma burrice coletiva sem explicação

Afinal, que justificativa você me dá para um

povo que precisa de união

Mas demonstra claramente

Infelizmente

Preconceitos mil

De naturezas diferentes

Mostrando que essa gente

Essa gente do Brasil é muito burra

E não enxerga um palmo à sua frente

Porque se fosse inteligente esse povo já

teria agido de forma mais consciente

Eliminando da mente todo o preconceito

E não agindo com a burrice estampada no peito

A “elite” que devia dar um bom exemplo

É a primeira a demonstrar esse tipo de sentimento

Num complexo de superioridade infantil

Ou justificando um sistema de relação servil

E o povão vai como um bundão na onda

do racismo e da discriminação

Não tem a união e não vê a solução da questão

Que por incrível que pareça está em nossas mãos

Só precisamos de uma reformulação geral

Uma espécie de lavagem cerebral

 

Racismo é burrice

Não seja um imbecil

Não seja um ignorante

Não se importe com a origem ou a cor

seu semelhante

O quê que importa se ele é nordestino e você não?

O quê que importa se ele é preto e você é branco

Aliás, branco no Brasil é difícil, porque no

Brasil somos todos mestiços

Se você discorda, então olhe para trás

Olhe a nossa história

Os nossos ancestrais

O Brasil colonial não era igual a Portugal

A raiz do meu país era multirracial

Tinha índio, branco, amarelo, preto

Nascemos da mistura, então por que o preconceito?

Barrigas cresceram

O tempo passou

Nasceram os brasileiros, cada um com a sua cor

Uns com a pele clara, outros mais escura

Mas todos viemos da mesma mistura

Então presta atenção nessa sua babaquice

Pois como eu já disse racismo é burrice

Dê a ignorância um ponto final:

Faça uma lavagem cerebral

 

Racismo é burrice

Negro e nordestino constróem seu chão

Trabalhador da construção civil conhecido  como peão

No Brasil, o mesmo negro que constrói o

seu apartamento ou o que lava o chão de uma delegacia

É revistado e humilhado por um guarda nojento

Que ainda recebe o salário e o pão de cada dia

graças ao negro, ao nordestino e a todos nós

Pagamos homens que pensam que ser humilhado não dói

O preconceito é uma coisa sem sentido

Tire a burrice do peito e me dê ouvidos

Me responda se você discriminaria

O Juiz Lalau ou o PC Farias

Não, você não faria isso não

Você aprendeu que preto é ladrão

Muitos negros roubam, mas muitos são roubados

E cuidado com esse branco aí parado do seu lado

Porque se ele passa fome

Sabe como é:

Ele rouba e mata um homem

Seja você ou seja o Pelé

Você e o Pelé morreriam igual

Então que morra o preconceito e viva a união racial

Quero ver essa música você aprender e fazer

A lavagem cerebral

 

Racismo é burrice

O racismo é burrice mas o mais burro não é o racista

É o que pensa que o racismo não existe

O pior cego é o que não quer ver

E o racismo está dentro de você

Porque o racista na verdade é um tremendo babaca

Que assimila os preconceitos porque tem cabeça fraca

E desde sempre não pára pra pensar

Nos conceitos que a sociedade insiste em lhe ensinar

E de pai pra filho o racismo passa

Em forma de piadas que teriam bem mais graça

Se não fossem o retrato da nossa ignorância

Transmitindo a discriminação desde a infância

E o que as crianças aprendem brincando

É nada mais nada menos do que a

estupidez se propagando

Nenhum tipo de racismo – eu digo nenhum

tipo de racismo – se justifica

Ninguém explica

Precisamos da lavagem cerebral pra acabar

com esse lixo que é uma herança cultural

Todo mundo que é racista não sabe a razão

Então eu digo meu irmão

Seja do povão ou da “elite”

Não participe

Pois como eu já disse racismo é burrice

Como eu já disse racismo é burrice

Racismo é burrice

 

E se você é mais um burro, não me leve a mal

É hora de fazer uma lavagem cerebral

Mas isso é compromisso seu

Eu nem vou me meter

Quem vai lavar a sua mente não sou eu

É você.

 

 

 

 

Racismo


 

“Se o racismo é um sentimento preconceituoso, daquele que se julga superior, então deveria ser ele o discriminado, pois quem mais poderia ser visto em sua extrema inferioridade senão o portador de tal arrogância, entre os da mesma raça?”

Ivan Teorilang

 

 

 

 

 

  O racismo consiste em crer que certas pessoas são superiores a outras devido a pertencer a uma raça específica. Os racistas diferenciam as pessoas com base em características físicas como a cor de pele e o aspecto do cabelo. Não existe nenhuma prova científica da existência de raças diferentes.A biologia só identificou uma raça: a raça humana.

A crença da existência de raças superiores e inferiores foi utilizada muitas vezes para justificar a escravidão, o domínio de determinados povos por outros, e os genocídios que ocorreram durante toda a história da humanidade e ao complexo de inferioridade, se sentindo, muitos povos, como inferiores aos europeus.

 

“a palavra raça não identifica nenhuma realidade biológica reconhecível no DNA de nossa espécie, e que portanto não há nada de inevitável ou genético nas identidades étnicas e culturais, tais como as conhecemos hoje em dia. Sobre isso, a ciência tem ideias bem claras”

 

O racismo tem assumido formas muito diferentes ao longo da história. Na antiguidade, as relações entre povos eram sempre de vencedor e cativo. Estas existiam independentemente da raça, pois muitas vezes povos de mesma matriz racial guerreavam entre si, e o perdedor passava a ser cativo do vencedor, neste caso o racismo se aproximava da xenofobia. Na Idade Média, desenvolveu-se o sentimento de superioridade xenofóbico de origem religiosa.[carece de fontes]

 

Xenofobia é o medo irracional, aversão ou a profunda antipatia em relação aos estrangeiros,[2] a desconfiança em relação a pessoas estranhas ao meio daquele que as julga ou que vêm de fora do seu país.

 

Quando houve os primeiros contatos entre conquistadores portugueses e africanos, no século XV, não houve atritos de origem racial. Os negros e outros povos da África entraram em acordos comerciais com os europeus, que incluíam o comércio de escravos que, naquela época, era uma forma aceite de aumentar o número de trabalhadores numa sociedade e não uma questão racial.

No entanto, quando os europeus, no século XIX, começaram a colonizar o Continente Negro e as Américas, encontraram justificações para impor aos povos colonizados as suas leis e formas de viver. Uma dessas justificações foi a ideia errônea de que os negros e os índios eram “raças” inferiores e passaram a aplicar a discriminação com base racial nas suas colônias, para assegurar determinados “direitos” aos colonos europeus. Àqueles que não se submetiam era aplicado o genocídio, que exacerbava os sentimentos racistas, tanto por parte dos vencedores, como dos submetidos, como os índios norte-americanos que chamavam os brancos de “Cara pálidas”. Os casos mais extremos foram a confinação dos índios em reservas e a introdução de leis para instituir a discriminação, como foram os casos das leis de Jim Crow, nos Estados Unidos da América, e do apartheid na África do Sul.

Brasil

A Constituição de 1988 tornou a prática do racismo crime sujeito à pena de prisão, inafiançável e imprescritível. A legislação brasileira já definia, desde 1951, com a Lei Afonso Arinos (lei. 1.390/51), os primeiros conceitos de racismo, apesar de não classificar como crime e sim como contravenção penal (ato delituoso de menor gravidade que o crime). Os agitados tempos da regência, na década de 1830, assinalam o anti-racismo no seu nascedouro quando uma primeira geração de brasileiros negros ilustrados dedicou-se a denunciar o “preconceito de cor” em jornais específicos de luta (a “imprensa mulata”), repudiando o reconhecimento público das “raças” e reivindicando a concretização dos direitos de cidadania já contemplados pela Constituição de 1824.

“O ser humano sabe que tem o poder de acabar com a miséria, fome, exclusão social, racismo, violencia… pois isso foi criado por nós mesmos. É só esquecer a ganância e lembrar do amor.”

 

Atividade

 

  1. Segundo o texto o que e racismo?
  2. Quais são as características que definem uma pessoa com racista?
  3. Segundo os estudos científicos existem raças entre os seres humanos?Por que?
  4. Quais são os objetivos das pessoas que se utilizam da crença da existência de raças superiores e inferiores?
  5. Você acredita que leis que punam o racismo são eficientes para o combate desta pratica em nosso país? Por que ?

 

 

 

 

Racismo no Brasil?

 

 

Racismo no Brasil é, no mínimo, uma atitude de ignorância as próprias origens. Qual é o antepassado do “verdadeiro brasileiro”? Indígena (os primeiros povos a habitar a terra do ‘Pau Brasil’)? Os negros (que foram trazidos para trabalhar como escravos e, ainda, serviram de mercadoria para seus senhores)? Os portugueses (que detém o status de descobridores desta terra)? Porém, pode ser a miscigenação de todas as raças, como vemos hoje? Afinal de contas, aqui se instalaram povos de todos os lugares do mundo. Portugueses, espanhóis, alemães, franceses, japoneses, árabes e, ultimamente, peruanos, bolivianos, paraguaios, uruguaios e até argentinos vivem neste país que hospitaleiro até demais com os estrangeiros e, muitas vezes, hostil com sua população.

Atualmente, a população brasileira faz parte do ‘vira-latismo’ mundial. Quantas pessoas mestiças nascidas no Brasil você conhece ou, pelo menos, já viu? Quantas vezes você ouviu alguém dizer que…”meu avô era africano, minha avó espanhola”, ou então…”meu pai é japonês e minha mãe é árabe”? Quando representantes ‘tupiniquins’ participam de eventos esportivos ou sociais, o que vemos são pessoas de diferentes raças, mas apenas um sangue, somente uma paixão, o Brasil.

O que existe por aqui é muito racismo camuflado e que todo mundo faz questão de não enxergar. Os alvos, mesmo que inconscientemente, sempre são os mesmos. Negros, mestiços, nordestinos, pessoas fora do padrão da moda, ou seja, obesos, magrelas, altos demais, baixos ou anões e, principalmente, os mais pobres sofrem com a discriminação e não conseguem emprego, estudo, dignidade e respeito. Estes não têm vez na sociedade brasileira!

Para exemplificar isso, basta visitar as faculdades, os pontos de encontro (como bares, danceterias, teatros e cinemas) ou, até mesmo, se tiver mais coragem, verificar o revés da história, ou seja, favelas e presídios. Claramente, nesses lugares, este racismo hipócrita e camuflado vem à tona e causa espanto em muitas pessoas que não ‘querem’ encarar a verdade dos fatos.

Segundo a Constituição Brasileira, qualquer pessoa que se sentir humilhada, desprezada, discriminada, etc…por sua cor de pele, religião, opção sexual…pode recorrer a um processo judicial contra quem cometeu tal atrocidade. Mas, neste país, a verdade é que ninguém encara isto seriamente e quando atitudes idênticas a do jogador Grafite, do São Paulo Futebol Clube, acontecem causa estranheza nas pessoas. Grafite está errado em exigir seus direitos? Certamente, não! Mas, na verdade este fato deve ser de alento para que todos lutemos por vagas nas faculdades públicas, trabalho e, conseqüentemente, respeito! Porém, sem ter de passar pela humilhante condição de “cotas para negros” ou programas de televisão sensacionalistas que exploram a distinção racial e social para ganhar audiência. A cota tem de estar disponível para quem não tem condições de cursar uma faculdade paga. Mas, para que isto ocorra é necessário que haja uma reforma no ensino, com o objetivo de se melhorar e valorizar as escolas estaduais e municipais, para que seus alunos possam “brigar” por vagas em universidade gratuitas. A somatória de notas pela vivência escolar pode ser uma solução para o caso, contudo, mesmo assim, tem de acontecer uma reconstituição de educação no Brasil.

Voltando ao caso “Grafite”, dois fatos ficaram mal explicados e precisam ser explicados. O primeiro se refere ao fato de que se prática de racismo, no Brasil, é crime inafiançável, Desábato não poderia ter sido libertado mediante pagamento de fiança. Se o argentino pôde escapar, daqui para frente todos que forem indiciados neste artigo terão o mesmo direito. A outra preocupação é com a ação de alguns brasileiros que banalizam o acontecimento e começam a utilizar as palavras agressivas do zagueiro do Quilmes para hostilizarem os brasileiros, mesmo sendo mestiços e negros. Pior do que a atitude do argentino foi a do torcedor que jogou uma banana no campo do Estádio Paulo Machado de Carvalho (Pacaembu), no jogo da seleção brasileira contra a Guatemala. Isto é repugnante! Ainda neste pensamento, outro fato negativo, é que há jornalista esportivo no Brasil desdenhando de toda esta situação e, ainda, se posiciona contrário a atitude do atacante do tricolor. Isto é um absurdo! Um formador de opinião não pode cometer tal heresia.

Daqui para frente, tudo tem de ser diferente! O brasileiro tem de valorizar e acreditar em suas virtudes, para que um dia este país tenha condições de lutar com igualdade pelos seus direitos e por todos nós, além de almejar um posto de destaque no cenário mundial. Caso contrário, seremos sempre o país do futebol, do melhor corredor de automobilismo, da melhor ginasta, do melhor carnaval, mas, nunca teremos cadeira fixa nos conselhos mundiais, como a Organização das Nações Unidas, que definem as regras econômicas e comerciais vigentes.

Ilidio Teixeira

 

http://www.youtube.com/watch?v=L5Qn3OJk_Z4&feature=relatedhttp://www.youtube.com/watch?v=LoaZ7JaQUjo

Para iniciarmos nossas discussões que buscará tratar o fenômeno da violência e  criminalidade de uma forma reflexiva e que contribua para  compreendermos a devida profundidade desse tema e assim qualificar e expandir os nossos conhecimento sobre o mesmo  iniciaremos com  uma simples questão :  A sociedade em que vivemos hoje é mais ou menos violenta do que no passado ? Antes de apresentar constatações óbvias e que reproduzem o discurso amplamente difundido pela mídia  assista o vídeo abaixo que busca tratar de uma forma inusitada com essa questão .

O vídeo acima dialoga com dois autores da sociologia que analisam profundamente como a questão da violência e da criminalidade ao longo da história da humanidade. O primeiro foi Norbert Elias que em sua obra “O Processo Civilizador” analisou como nossa sociedade com o passar dos séculos  veio  sofrendo um movimento de constante “humanização” em busca da tentativa da superação dos instintos  no intuito de obter o que o autor denominou de  boas maneiras resultando assim  em uma sociedade onde optamos pelo diálogo e a lei em detrimento da violência e a justiça sumária (feita com as próprias mãos ), sua obra é repleta de exemplos que nos faz compreender como seria  insuportável para uma pessoa educada em nossos dias viverem a cem  ou duzentos anos atrás, apontando  como o conceito do que é sociamente aceito mudou profundamente ao longo de nossa história .    .

O segundo autor foi Michael Foucault o qual analisou como a violência ao longo de  nossa história foi sendo deixada de lado na hora de punirmos os que cometem crimes . No início de sua Obra  “Vigiar e Punir” o autor descreve com grande riqueza de detalhes o suplício de um condenado no séc. XVIII, que assim como Cristo e Tiradentes , teve sua condenação executada em praça pública para o deleite de toda a população , inclusive crianças , em uma cena que se alguém de nossa época presenciasse certamente  iria julgar aquela sociedade como desumana e barbara . Em seguida Foucault descreve a rotina de um presídio no séc. XIX a qual os detento são submetidos a pena de privação de liberdade, onde para pagar pelos seus crimes são confinados em casas de reclusão sobre um regime de grande disciplina . Toda a obra pretende analisar o que levou a tais mudanças de comportamento frente aos criminosos durante esse curto período de tempo .

 

Violência

 

O que é violência? Segundo o Dicionário Houaiss, violência é a “ação ou efeito de violentar, de empregar força física (contra alguém ou algo) ou intimidação moral contra (alguém); ato violento, crueldade, força”. No aspecto jurídico, o mesmo dicionário define o termo como o “constrangimento físico ou moral exercido sobre alguém, para obrigá-lo a submeter-se à vontade de outrem; coação”.

Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) define violência como “a imposição de um grau significativo de dor e sofrimento evitáveis”. Mas os especialistas afirmam que o conceito é muito mais amplo e ambíguo do que essa mera constatação de que a violência é a imposição de dor, a agressão cometida por uma pessoa contra outra; mesmo porque a dor é um conceito muito difícil de ser definido.

Para todos os efeitos, guerra, fome, tortura, assassinato, preconceito, a violência se manifesta de várias maneiras. Na comunidade internacional de direitos humanos, a violência é compreendida como todas as violações dos direitos civis (vida, propriedade, liberdade de ir e vir, de consciência e de culto); políticos (direito a votar e a ser votado, ter participação política); sociais (habitação, saúde, educação, segurança); econômicos (emprego e salário) e culturais (direito de manter e manifestar sua própria cultura). As formas de violência, tipificadas como violação da lei penal, como assassinato, seqüestros, roubos e outros tipos de crime contra a pessoa ou contra o patrimônio, formam um conjunto que se convencionou chamar de violência urbana, porque se manifesta principalmente no espaço das grandes cidades. Não é possível deixar de lado, no entanto, as diferentes formas de violência existentes no campo.

O vídeo  abaixo apresenta de forma clara como em nossas ações cotidianas podemos alimentar ou romper com um ciclo de pequenas violências que podem ter como consequência  violências maiores.

 

Tipos de Violência

Violência é todas as ações que machucam as pessoas de alguma forma,sendo com palavras,agressões e injustiças da sociedade.Todos temos direito de sermos livres de qualquer tipo de violência,porém ainda existem pessoas que sofrem com isso.

Violência Simbólica

No campo simbólico, constituído por maneiras de ver e de pensar, dá-se a produção social da violência simbólica. Bourdieu assim a define: “A violência simbólica é uma violência que se exerce com a cumplicidade tácita daqueles que a sofrem e também, frequentemente, daqueles que a exercem na medida em que uns e outros são inconsciente de a exercer ou a sofrer” (Bourdieu, 1996: 16).  O que denomino de violência simbólica ou dominação simbólica, ou seja, formas de coerção que se baseiam em acordos não conscientes entre as estruturas objetivas e as estruturas mentais” (Bourdieu, 2012: 239).

 Violência Estrutural e Sistêmica: Ela se expressa pelo quadro de miséria, má distribuição de renda ,exploração dos trabalhadores,crianças nas ruas,falta de condições mínimas para vida digna,falta de assistência em educação e saúde.Trata-se,portanto,de uma população de risco,sofrendo no dia-a-dia os efeitos da violação dos direitos humanos,confirmando as palavras de Mahatma Gandhi: a pobreza é a pior forma de violência. Apesar desse tipo de violência acontecer os presos ainda saem impunes do crime.

 

Teorias Biológicas Sobre o Crime

Publicado: maio 9, 2012 em Violência

O CRIME SEGUNDO LOMBROSO (Texto complementar)

agosto 20, 2007

Cesare Lombroso (1835-1909) foi um homem polifacético; médico, psiquiatra, antropólogo e político, sua extensa obra abarca temas médicos (“Medicina Legal”), psiquiátricos (“Os avanços da Psiquiatria”), psicológicos (“O gênio e a loucura”), demográficos (“Geografia Médica”), criminológicos (“L’Uomo delincuente).

Lombroso entende o crime como um fato real, que perpassa todas as épocas históricas, natural e não como uma fictícia abstração jurídica. Como fenômeno natural que é, o crime tem que ser estudado primacialmente em sua etiologia, isto é, a identificação das suas causas como fenômeno, de modo a se poder combatê-lo em sua própria raiz, com eficácia, com programas de prevenção realistas e científicos.

Para Lombroso a etiologia do crime é eminentemente individual e deve ser buscada no estudo do delinqüente. É dentro da própria natureza humana que se pode descobrir a causa dos delitos.

Lombroso parte da idéia da idéia da completa desigualdade fundamental dos homens honestos e criminosos. Preocupado em encontrar no organismo humano traços diferenciais que separassem e singularizassem o criminoso, Lombroso vai extrair da autópsia de delinqüentes uma “grande série de anomalias atávicas, sobretudo uma enorme fosseta occipital média e uma hipertrofia do lóbulo cerebeloso mediano (vermis) análoga a que se encontra nos seres inferiores” .

Assim, surgiu a hipótese, sujeita a investigações posteriores, de que haveria certas afinidades entre o criminoso, os animais e principalmente o homem primitivo, que ele considerava diferente, psicológica e fisicamente, do homem dos nossos tempos.

Lombroso empreende um longo estudo antropológico no seu livro “L’Uomo delincuente” acerca da origem da criminalidade. Professando um particular evolucionismo, Lombroso procura demonstrar que o crime, como realidade ontológica, pode ser considerado uma característica que é comum a todos os degraus da escala da evolução, das plantas aos animais e aos homens; dos povos primitivos aos povos civilizados; da criança ao homem desenvolvido.

O “crime” teria como característica ser extremamente freqüente, brutal, violento e passional nos níveis inferiores dessas escalas.Assim Lombroso vai teorizar acerca dos equivalentes do crime nas plantas e nos animais (“L’Homme Criminel, chapitre premier), a morte de insetos pelas plantas carnívoras (“homicídio”), a morte para ter o comando da tribo entre os cavalos, cervos e touros (“homicídio por ambição”), a fêmea do crocodilo que mata seus filhotes que ainda não sabem nadar (“infanticídio”), as raposas que se devoram entre si e algumas vezes mesmo devoram suas progênitoras (“canibalismo e parricídio”).

Entre os chamados “selvagens” ou “povos primitivos” Lombroso também encontra a incidência generalizada do crime. O incremento excessivo da população, comparativamente aos meios naturais de subsistência explicaria os abortos e os infanticídios. São também comuns e frequentes segundo Lombroso o homicídio dos velhos, das mulheres, dos doentes, os homicídios por cólera, por capricho, de parentes por ocasião do funeral de morto importante, por sacrifícios religiosos, os cometidos por brutalidade ou por motivo fútil, os causados por desejo de glória etc..São ainda comuns entre os selvagens o canibalismo, o roubo, o rapto, o adultério e os crimes contra a autoridade (chefes, deuses ou a própria tribo).

Dentro da idéia evolucionista lombosiana (de passagem [física ou psíquica] do organismo mais simples para o mais complexo) os germes da loucura moral e do crime se encontram de maneira normal na infância.Lombroso advogava a existência na infância de uma predisposição natural para o crime. As analogias entre o imaturo e o criminoso se dariam na fase da vida instintiva, através da qual se observa a precocidade da cólera, que faz com que a criança bata nos circunstantes e tudo quebre, em atitudes comparáveis ao compartamento violento criminoso.

O ciúme, a vingança, a mentira, o desejo de destruição, a maldade para com os animais e os seres fracos, a predisposição para a obscenidade, a preguiça completa, exceto para as atividades que produzem prazer, são, entre outros, índices que Lombroso apontou, das tendências criminais na infância. A educação conduziria, porém, a criança para o período de “puberdade ética”, submetendo-a a profunda metamorfose.

Identificando pois a origem da criminalidade, como ontologia, nessas “fases primitivas” da humanidade, Lombroso entende que o criminoso é uma subespécie ou um subtipo humano (entre os seres vivos superiores, porém sem alcançar o nível superior do homo sapiens) que, por uma regressão atávica a essas fases primitivas, nasceria criminoso, como outros nascem loucos ou doentios. A herança atávica explicaria, a seu ver, a causa dos delitos. O criminoso seria então um delinqüente nato (nascido para o crime), um ser degenerado, atávico, marcado pela transmissão hereditária do mal. O atavismo (produto da regressão, não da evolução das espécies) do criminoso seria demonstrado por uma série de “estigmas”. De acordo com o seu ponto de vista, o delinqüente padece de uma série de estigmas degenerativos, comportamentais, psicológicos e sociais.

O criminoso nato seria caracterizado por uma cabeça sui generis, com pronunciada assimetria craniana, fronte baixa e fugídia, orelhas em forma de asa, zigomas, lóbulos occipitais e arcadas superciliares salientes, maxilares proeminentes (prognatismo), face longa e larga, apesar do crânio pequeno, cabelos abundantes, mas barba escassa, rosto pálido.

O homem criminoso estaria assinalado por uma particular insensibilidade, não só física como psíquica, com profundo embotamento da receptividade dolorífica (analgesia) e do senso moral. Como anomalias fisiológicas, ainda, o mancinismo (uso preferente da mão esquerda) ou a ambidextria (uso indiferente das duas mãos), além da disvulnerabilidade, ou seja uma extraordinária resistência aos golpes e ferimentos graves ou mortais, de que os delinqüentes típicos pronta e facilmente se restabeleceriam. Seriam ainda comuns, entre eles, certos distúrbios dos sentidos e o mau funcionamento dos reflexos vasomotores, acarretando a ausência de enrubescimento da face. Consequência do enfraquecimento da sensibilidade dolorífica no criminoso por herança seria a sua inclinação à tatuagem, acerca da qual Lombroso realizou detidos estudos.

Os estigmas psicológicos seriam a atrofia do senso moral, a imprevidência e a vaidade dos grandes criminosos. Assim, os desvios da contextura psíquica e sentimental explicariam no criminoso a ausência do temor da pena, do remorso e mesmo da emoção do homicida perante os despojos da vítima. Absorvidos pelas paixões inferiores, nenhuma relutância eles sentem perante a idéia dominante do crime . As conclusões de Lombroso (L’Homme Criminel) foram construções eminentemente empíricas baseadas em resultados de 386 autópsias de delinqüentes e nos estudos feitos em 3939 criminosos vivos por Ferri, Bischoff, Bonn, Corre, Biliakow, Troyski, Lacassagne e pelo próprio Lombroso .

Lombroso porém não esgota na teoria da criminalidade nata a sua explicação para a etiologia do delito. A criminalidade nata não dá conta de todas as categorias antropológicas de delinqüentes, nem mesmo, numa mesma categoria, de todos os casos habituais. Ele antevê na loucura moral e na epilepsia mais dois fatores capazes de fornecer uma elucidação biológica para o fenômeno delito.

O louco moral é aquele indivíduo que tem, aparentemente, íntegra a sua inteligência, mas sofre de profunda falta de senso moral. É um homem perigoso pelo seu terrível egoísmo. É capaz de praticar um morticínio pelo mais ínfimo dos motivos.Lombroso o diferenciava do alienado definindo-o como um “cretino do senso moral” ou seja, uma pessoa desprovida absolutamente de senso moral. A explicação da criminalidade do louco moral também é dada pela biologia, é congênita, mas pode, de acordo com o meio na qual o indivíduo se desenvolve, aflorar ou não. A epilepsia foi outra explicação aventada por Lombroso como causa da criminalidade. A epilepsia ataca os centros nervosos em que se elaboram os sentimentos e as emoções. Objetaram-lhe porém que se a epilepsia, bem conhecida e perceptível, explica em certos casos o delito, em outros não se observa haver sinal objetivo da doença em face do delito praticado.A essa objeção Lombroso opôs a sua teoria da epilepsia larvada, sem manifestações facilmente visíveis, que poderia explicar a etiologia do delito. Ao passo que a epilepsia declarada se exterioriza em meio a contrações musculares violentíssimas, a epilepsia larvada se denuncia por fugazes estados de inconsciência que nem todos percebem.Lombroso não abandonou uma das explicações da etiologia do delito pelas outras. Procurou coordená-las. Assim, por exemplo, acentuou que a teoria do atavismo se completava e se corrigia com os estudos referentes ao estado epilético.A etiologia do crime para Lombroso interrelaciona portanto o atavismo, a loucura moral e a epilepsia: o criminoso nato é um ser inferior, atávico, que não evolucionou, igual a uma criança ou a um louco moral, que ainda necessita de uma abertura ao mundo dos valores; é um indivíduo que, ademais, sofre alguma forma de epilepsia, com suas correspondentes lesões cerebrais .

Lombroso, baseado em suas observações, encarava o seu tipo primordial de criminoso, o criminoso nato, como compondo 40 % do total da população criminosa, restando as demais àquelas outras formas de crime que tinham por fontes a loucura, a ocasião, o alcolismo e a paixão. Para Lombroso essas formas eram ligadas mais estreitamente a suas causas ocasionais e portanto, não forneceriam uma base possível para uma etiologia desses delitos. 

MAURICIO JORGE PEREIRA DA MOTA – Trabalho de conclusão de curso apresentado na disciplina de Direito Penal do Mestrado em Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro

 

Fonte: http://criminologiafla.wordpress.com/category/material-de-aula/

Sociologia do Crime

Publicado: maio 9, 2012 em Violência

DESVIO SOCIAL

1) Introdução

Ocorre desvio social quando o indivíduo ou grupo não corresponde às normas de uma determinada cultura.

Seria ótimo se vivêssemos em uma sociedade em que todas as pessoas cumprissem o seu papel da melhor forma possível, mas, infelizmente, essa sociedade não existe. Em todo lugar existem casos de roubo, assassinato, estupro e outras deturpações da conduta humana com as quais, direta ou indiretamente, somos obrigados a conviver.

Uma questão em aberto é saber por que as pessoas se desviam de um comportamento estabelecido em uma sociedade. No início, pensava-se que o desvio era fruto de uma anomalia psicológica e, partindo dessa premissa, a causa era individual. Depois, apareceram outros estudiosos que diagnosticaram o problema como sendo uma desordem social que induzia o indivíduo ao desvio. Hoje, chegou-se à conclusão de que o desvio se deve a fatores psicológicos e sociológicos, estudados por uma disciplina chamada Psicologia Social.

O conceito de desvio social normalmente possui uma conotação negativa, mas há casos em que o desvio pode ser visto como um ato positivo, como veremos no transcorrer desta unidade. Por outro lado, a noção de o que constitui um desvio social muda com o tempo.

Como exemplo disso, podemos citar o fato de que durante séculos, no Brasil, a prática de criar passarinhos em cativeiro (gaiolas) era algo comum e amplamente aceito, mas hoje, com a gravidade da questão ecológica, constitui crime ambiental. Atualmente é de todo aceitável a idéia de que se o casamento não deu certo as pessoas têm todo o direito de se separar; entretanto, há cerca de 40 anos pessoas separadas matrimonialmente não eram vistas com bons olhos, principalmente as mulheres.

2) Tipos de desvio

Desvio primário: Todos nós praticamos pequenos atos que não são totalmente aprovados pela sociedade.

O departamento de trânsito estabelece uma velocidade máxima, mas, às vezes, nos atrasamos para um compromisso e desobedecemos a essa norma.

Existe lei municipal que proíbe pisar na grama de jardins públicos, mas, para encurtar o caminho e ganhar tempo, avançamos sobre o gramado.

No estádio de futebol, como em outros locais públicos, deve-se jogar o lixo no local apropriado; porém, por comodidade, não observamos essa regra e jogamos no chão a garrafa plástica do refrigerante que acabamos de beber, ou, pior, há quem a arremesse na cabeça do torcedor adversário.

A lei proíbe que um funcionário se aproprie de qualquer material que pertença a uma repartição do governo. Mas você costuma ver funcionários públicos comprando papel A-4 ou caneta comum?

Sobre desvio primário é importante entender duas coisas: em primeiro lugar, a sociedade os tolera e não rotula seus praticantes como “desviados socialmente”; e, em segundo lugar, essas pessoas não se enxergam como anormais, que maculam a sociedade.

Desvio secundário: Denomina-se assim qualquer comportamento que é caracterizado publicamente como conduta anormal. O assassino, o ladrão, o político corrupto, o estuprador e o traficante de drogas são exemplos de desvio secundário.

O desvio secundário é repudiado socialmente, e uma vez a pessoa rotulada como tal, sofrerá pressões que normalmente a levam ao isolamento. Você já deve ter ouvido falar de casos de ex-presidiários que não conseguem arranjar emprego e levar uma vida normal. Isso acontece porque as pessoas não acreditam que o tempo que ele passou na cadeia foi suficiente para reeducá-lo para um novo estilo de vida.

Desvio individual: É quando uma pessoa, agindo sozinha, pratica ato que foge dos padrões estabelecidos pela sua subcultura. Imagine um médico famoso, com ótima situação financeira, mas que entediado pela rotina de sua profissão, resolve ingressar no mundo do crime em busca de aventuras. Este não é o comportamento normal de todos os médicos bem sucedidos. No caso do nosso exemplo, o médico famoso desviou-se do padrão de comportamento de seu grupo e adotou outra conduta. O mesmo pode-se dizer do adolescente de classe média alta que estuda no melhor colégio da cidade, anda em um carro esportivo, freqüenta as melhores festas e, sem nenhuma explicação lógica, resolve ingressar em um grupo de traficantes de drogas.

Desvio grupal: Um jovem vive na pior favela da cidade. Freqüentou escola pública decadente e não consegue arrumar emprego. Ele e seus amigos se consideram injustiçados pelo sistema e começam a renegar alguns valores básicos que lhes foram ensinados, como o de não roubar. No começo ele e os colegas se contentam apenas em pichar muros e cometer pequenos roubos, mas com o tempo os delitos passam a ser mais graves e por fim sua turma começa a roubar carros. Esse é um exemplo claro de desvio grupal, em que as condições desfavoráveis de uma comunidade não determinam, mas influenciam na conduta de seus membros.

3) Explicações teóricas para o desvio social

Ao longo dos últimos 100 anos vários estudos foram realizados para tentar determinar as causas dos desvios sociais. Alguns cientistas acreditam que o desvio está diretamente ligado a fatores biológicos e que se pode determinar previamente se uma pessoa terá tendência para o desvio apenas observando características do seu biotipo, tais como formato da cabeça, queixo, tamanho da testa, peso e outras. Há também os que procuram encontrar as causas do comportamento inadequado nas falhas de socialização do indivíduo.

A seguir apresentaremos as principais teorias que tentam explicar o problema.

a) Teorias biológicas

Teoria de Cesare Lombroso: Lombroso foi um criminólogo italiano que, no início do século XX, se interessou em estudar a relação entre as características físicas e a predisposição para o crime. Baseado em suas observações, Lombroso chegou à conclusão de que o criminoso apresenta uma certa semelhança com os ancestrais humanos (homens da caverna), tais como mandíbulas grandes, braços e dedos longos, alguma particularidade nos olhos, dentição anormal e ossos malares grandes. Inicialmente a teoria de Lombroso provocou um grande impacto, mas estudos posteriores não conseguiram provar a vinculação entre crime e tipo físico.

Teoria de William Sheldon: Antropólogo americano que identificou três tipos básicos de corpo: o endomorfo (redondo, mole e gordo), o mesomorfo (muscular e atlético) e o ectomorfo (magro, frágil e ossudo). Segundo Sheldon, os endomorfos são amigáveis e pacientes, os ectomorfos são sensíveis e um tanto quanto desligados e os mesomorfos seriam o tipo com maior predisposição para o crime, por tenderem a ser impulsivos, enérgicos e nervosos. Ainda que bem estruturados, os estudos de Sheldon não encontram respaldo na comunidade científica.

b) Teorias sociológicas

Teoria de Durkheim: Para este grande estudioso, o desvio social se deve ao que ele chamou de anomia. Para ele, anomia é a incapacidade de internalizar as normas de uma sociedade. Ao pé da letra, anomia significa ausência de normas.

Para melhor entender o que Durkheim afirma sobre anomia, vamos pegar o exemplo de uma pessoa que vivia em uma pequena comunidade agrícola do interior. Em sua aldeia, esta pessoa estava fortemente vinculada aos laços familiares e respeitava os preceitos pregados por sua religião. A comunidade era pequena e todos se conheciam, o que facilitava a identificação e controle que uns exerciam sobre os outros. Resumindo, podemos dizer que essa pessoa estava fortemente ligada a suas raízes e isso era importante para mantê-la ajustada socialmente.

Agora vamos imaginar que essa pessoa se mude para uma grande cidade em busca de melhor emprego. Logo perceberá que na grande cidade sua liberdade individual é maior por não ter que se submeter à pressão da família, da igreja, dos amigos e dos vizinhos. Ele não será mais obrigado a fazer algo apenas porque é uma tradição.

Porém, apesar de livre e morar em uma cidade com milhões de pessoas, ele se sente só, amargurado e revoltado por trabalhar muito e ganhar pouco. Este novo contexto o faz reformular alguns conceitos e ele já não acha tão errado uma pessoa furtar para sobreviver. Ingressa em um movimento político radical e está disposto a fazer tudo para impor o que acha ser o modelo ideal de sociedade.

Segundo Durkheim, essa pessoa está com anomia. Isto não quer dizer que, para esse pensador, as grandes cidades não possuem normas. Elas as possuem. O problema aparece quando as normas não são suficientemente internalizadas na personalidade do indivíduo, provocando o desajuste. O fato é que as modernas estatísticas confirmam que as grandes cidades e as áreas de rápidas mudanças são as que estão mais sujeitas à anomia e ao desvio social.

Teoria de William Thomas: Este estudioso elaborou uma teoria relacionada com a conformidade e a não conformidade dentro de uma sociedade humana. Como forma de melhor explicar suas idéias, ele apresenta três tipos de personalidades: Filisteu, Boêmio e Homem Criador.

O Filisteu é o bom cidadão, que está plenamente de acordo com os valores da sociedade; é um conformista por excelência. O Boêmio seria o oposto, com uma personalidade complicada, insegura e facilmente tentada a tomar atitudes anti-sociais. A terceira possibilidade seria denominada de Homem Criador, um meio termo entre os dois tipos anteriores. O Homem Criador seria conformista em algumas situações e rebelde em outras.

A conclusão a que se chega é que tanto o Filisteu como o Boêmio são tipos sociais inadequados. Uma vez que não existe sociedade perfeita, sempre serão necessários tipos como o Homem Criador para seguir as normas saudáveis e questionar o que não está certo no seu meio social.

Teoria de Robert K. Merton: Este pesquisador observou o problema da anomia sob uma perspectiva diferente da de Durkheim. Como vimos, para Durkheim, a anomia se deve ao enfraquecimento dos vínculos que ligam o indivíduo à sociedade, incapacitando-o de internalizar as normas coletivas. Merton acha que a anomia se deve ao fato de as pessoas não conseguirem atingir as metas estabelecidas pela sociedade. As sociedades ocidentais valorizam o sucesso material, mas não garantem os meios necessários para se atingir esse objetivo, pelo menos à maioria das pessoas.

No Brasil, um trabalhador que ganha o salário mínimo dificilmente poderá comprar casa, carro e dispor de boa qualidade de vida para si e para sua família. Impossibilitada de atingir seus objetivos, a pessoa tenta outras saídas, como por exemplo ficar rico por meios desonestos. Se a pessoa é um fracasso do ponto de vista financeiro, mas possui uma personalidade recheada de valores éticos, poderá ainda seguir dois caminhos: desistir de tudo e virar uma espécie de vagabundo ou se transformar em um revolucionário.

Em seu trabalho, Merton estabelece que a melhor maneira de evitar o desvio social é criar uma sociedade em que as oportunidades sejam acessíveis a todos, e também diminuir a pressão exercida sobre as pessoas no que se refere à necessidade de se obter o sucesso financeiro, acima de qualquer outro valor.

4) Desvio positivo

Como foi dito no início da unidade, o desvio social pode ser entendido como um fator positivo, muito embora isso aconteça mais como exceção do que como regra. As transformações sociais não ocorrem por obra dos conformistas, das pessoas que sempre seguem as regras pré-estabelecidas, mas sim pelos inconformados, rebeldes, aqueles que pensam que determinadas formas de agir não são justas ou que devem ser melhoradas. Foram os inconformados que lutaram pela independência do Brasil, protestaram contra a escravidão, aboliram a monarquia e, mais recentemente, lutaram contra a ditadura militar.

Atribuir aspectos negativos ou positivos ao desvio depende do ponto de vista de quem os observa. A Inconfidência Mineira foi tachada pelos portugueses como movimento ultrajante, liderado por um desajustado que deveria ser punido exemplarmente; os brasileiros viram a revolta de Tiradentes como causa justa e símbolo do patriotismo da nova nação. Pessoas que reagem com atos de sabotagem a uma ocupação militar de seu próprio país são rotuladas de terroristas pela potência que exerce a ocupação, mas são vistas como heróis pelo povo do país ocupado.

Nas questões de 1 a 14 assinale a alternativa correta.

1) Ocorre desvio social quando:

a) uma pessoa faz uma caridade.
b) alguém fala mal do presidente da República.
c) a ação do individuo não corresponde às expectativas de sua cultura.
d) ações pessoais coadunam com a cultura coletiva.

2) A causa do desvio é uma questão:

a) sociológica.
b) psicológica.
c) histórica.
d) psicológica e sociológica (psicossocial).

3) O desvio social:

a) é sempre negativo.
b) é sempre positivo.
c) neutro.
d) pode ser negativo ou positivo.

4) Desvio primário é:

a) ato de extrema gravidade.
b) ato não totalmente correto, mas tolerado socialmente.
c) o mesmo que crime.
d) ato que não é tolerado socialmente.

5) Exemplo de desvio primário é:

a) subtrair um lápis da repartição pública.
b) matar um pássaro em uma reserva florestal.
c) promover manifestação pública sem autorização das autoridades competentes.
d) dirigir embriagado e provocar um acidente.

6) Desvio secundário é:

a) conduta taxada publicamente como algo anormal.
b) desvio cometido logo após o primário.
c) o cometido pelo desviado reincidente.
d) o mesmo que crime inafiançável.

7) Exemplo de desvio secundário é:

a) jogar futebol em um campo baldio.
b) pisar na grama de um jardim público.
c) fazer uma piada de mau gosto sobre o chefe.
d) roubar um carro importado.

8) Desvio individual é:

a) o mesmo que desvio pessoal.
b) desvio singular.
c) atitude de uma pessoa que foge das expectativas de sua subcultura.
d) atitude individual que corresponde à sua cultura coletiva.

9) Desvio grupal é:

a) o mesmo que crime coletivo.
b) quando as condições sociais de um local influenciam no comportamento de uma comunidade.
c) fuga das condições coletivas desfavoráveis.
d) um conjunto de desvios individuais.

10) Lombroso e Sheldon estabeleceram teorias em que:

a) relacionam o crime às condições sociais.
b) relacionam o crime a questões econômicas.
c) relacionam o crime ao tipo físico da pessoa.
d) relacionam o crime à falta de religião.

11) Anomia significa:

a) excesso de normas.
b) o mesmo que anomalia.
c) ausência de normas.
d) normas injustas.

12) Para Durkheim, anomia significa:

a) que as normas são maléficas.
b) que as normas são indiferentes em uma situação social.
c) incapacidade do individuo de internalizar as normas de uma sociedade.
d) o mesmo que harmonia.

13) A teoria de W. Thomas se relaciona com:

a) o pessimismo social.
b) questões religiosas.
c) conformidade e não conformidade.
d) questões ideológicas.

14) A idéia básica de Robert Merton é que:

a) a sociedade estimula o indivíduo a alcançar metas, mas não lhe fornece os meios para atingi-las.
b) as pessoas são frustradas.
c) a rebeldia é causada pela frustração dos pobres.
d) toda revolta é inútil.

EXERCÍCIOS

1) O que é um desvio social?

2) Por que as pessoas se desviam de um comportamento estabelecido?

3) Dê exemplo de um atitude considerada normal no passado, mas que hoje é um desvio social.

4) Explique e dê exemplo de desvio primário.

5) Explique e de exemplo de desvio secundário.

6) O que é um desvio individual? Dê exemplos.

7) Explique a teoria de Cesare Lombroso.

8) Explique a teoria de W. Sheldon.

9) Explique a teoria de Durkhein sobre desvio social.

10) Diga o que você entendeu sobre a teoria de W. Thomas?

11) O que você entendeu sobre a teoria de Robert Merton?

12) Em que sentido o conceito de Merton se diferencia do conceito de Durkhein?

13) Explique e exemplifique um desvio social positivo.

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