Arquivo de abril, 2017

Cultura e Identidade – 2° ano.

Publicado: abril 22, 2017 em Uncategorized

O que é Cultural ? 

Você certamente já deve ter percebido que certas palavras são utilizadas com mais de um sentido. É precisamente esse o caso do termo “cultura”. É comum, por exemplo, ouvirmos dizer que determinada pessoa tem cultura porque fala vários idiomas ou porque conhece muitas obras de literatura. Saindo do plano individual, também é frequente lermos que certa civilização produziu uma cultura muito complexa do ponto de vista religioso. Além desses dois usos, eventualmente nos deparamos com pessoas que costumam comparar a época atual com a do passado, dizendo, por exemplo, que as pessoas da década de 1970 não apreciavam a cultura pop internacional tanto quanto as de hoje o fazem. Em todos esses casos, estamos diante da mesma palavra, “cultura”.Mas os sentidos com que ela aparece em cada um dos contextos são bastante diferentes, conforme notou o pensador Félix Guattari.

Filósofo, psicanalista e militante francês, Pierre-Félix Guattari nasceu em 1930 e faleceu há 20 anos, em 1992. Tendo se debruçado sobre diversos temas, uma das contribuições de Guattari é a distinção dos três sentidos usuais de “cultura”: cultura-valor, cultura-alma coletiva e cultura-mercadoria.

Cultura como valor (Capital cultural ) :  Ela expressa a ideia de que é possível ter ou não ter determinada cultura. É o caso, por exemplo, dos brasileiros que dominam a língua francesa, latina ou alemã, sendo, por isso, considerados cultos. O uso do termo “cultura” para denotar um valor permite, portanto, determinar a distinção entre quem tem e quem não tem uma suposta cultura (por exemplo, artística, musical, científica, filosófica e matemática, dentre outras). A noção de cultura como valor permite, ainda, classificar certo indivíduo como pertencente ao meio culto ou inculto, dentre muitos outros. Pessoas que não dominam as normas da língua culta para a escrita, por exemplo, tentem a ser classificadas como incultas.

Cultura-alma coletiva 

É o uso cotidiano da palavra “cultura”, o chamado “cultura-alma coletiva”, é sinônimo de “civilização”. Nesse caso, estamos diante da noção de que todas as pessoas, grupos e povos têm cultura e identidade cultural. A população do interior do estado de São Paulo, por exemplo, tem como parte integrante de sua identidade cultural um sotaque bastante peculiar na pronúncia do “r” em palavras como “porta”, “jantar” e “dormir”, dentre tantas outras. É nesse sentido, portanto, que falamos de cultura negra, chinesa ou ocidental, sempre fazendo referência aos traços culturais que possibilitam a identificação e a caracterização dos indivíduos que constituem esses povos.

Cultura-mercadoria: O uso do termo “cultura” como cultura-mercadoria corresponde, segundo Guattari, à chamada “cultura de massa”. Nesse caso, não se trata de avaliar a qualidade da cultura que determinada pessoa tem ou não, nem tampouco de delimitar os traços culturais de um povo (como os habitantes do interior de São Paulo). A noção de cultura-mercadoria está ligada a bens, equipamentos e conteúdos teóricos e ideológicos de produtos que estão à disposição das pessoas que querem e podem comprá-los. São os casos, por exemplo, de serviços, filmes, livros, músicas, novelas, séries e programas de reality shows consumidos por milhões de pessoas dentro e fora do Brasil. Ou seja, gente com repertórios culturais muito distintos (primeiro sentido) e oriunda de culturais extremamente diversificadas (segundo sentido) pode muito bem partilhar a mesma cultura-mercadoria quando assiste ao Big Brother ou escuta Katy Perry.

 

Fonte : http://clickeaprenda.uol.com.br/portal/mostrarConteudo.php?idPagina=30296

Cultura Material

cultura material nada mais é que a importância que determinados objetos possuem para determinado povo e sua cultura. É também através da cultura material que se ajuda a criar uma identidade comum. Esses objetos fazem parte de um legado de cada sociedade. Cada objeto produzido tem um contexto específico e faz parte de determinada época da história de um país. A cultura material se aplica a quase toda produção humana.

Cultura Imaterial

Todo povo possui um patrimônio que vai além do material, de objetos. Esse patrimônio é chamado de cultura imaterial. Ou seja, cultura imaterial é uma manifestação de elementos representativos, de hábitos, de práticas e costumes. A transmissão dessa cultura se dá muitas vezes pela tradição. Os maiores exemplos de cultura imaterial no Brasil são o folclore, a capoeira etc.

Todos somos parte integrante na cultura de nosso país e por isso devemos respeitar qualquer forma de manifestação cultural. Nossa riqueza cultural, nossas belezas naturais só fazem sentido se forem para serem compartilhadas igualmente com todos que fizeram parte dessa imensidão que é o nosso Brasil.

Anúncios

Fordismo x Toyotismo

 

Fordismo

Fordismo é um sistema de produção, criado pelo empresário norte-americano Henry Ford, cuja principal característica é a fabricação em massa. Henry Ford criou este sistema em 1914 para sua indústria de automóvel, projetando um sistema baseado numa linha de montagem.

Resultado de imagem para fordismo

O objetivo principal deste sistema era reduzir ao máximo os custos de produção e assim baratear o produto, podendo vender para o maior número possível de consumidores. Desta forma, dentro deste sistema de produção, uma esteira rolante conduzia a produto, no caso da Ford os automóveis, e cada funcionário executava uma pequena etapa. Logo, os funcionários não precisavam sair do seu local de trabalho, resultando numa maior velocidade de produção. Também não era necessária utilização de mão-de-obra muito capacitada, pois cada trabalhador executava apenas uma pequena tarefa dentro de sua etapa de produção.

O fordismo foi o sistema de produção que mais se desenvolveu no século XX, sendo responsável pela produção em massa de mercadorias das mais diversas espécies.

Toyotismo

Toyotismo é um sistema de organização voltado para a produção de mercadorias. Criado no Japão, após a Segunda Guerra Mundial, pelo engenheiro japonês Taiichi Ohno, o sistema foi aplicado na fábrica da Toyota (origem do nome do sistema).  O Toyotismo espalhou-se a partir da década de 1960 por várias regiões do mundo e até hoje é aplicado em muitas empresas.

Principais características do Toyotismo:

– Mão-de-obra multifuncional e bem qualificada. Os trabalhadores são educados, treinados e qualificados para conhecer todos os processos de produção, podendo atuar em várias áreas do sistema produtivo da empresa.

– Sistema flexível de mecanização, voltado para a produção somente do necessário, evitando ao máximo o excedente. A produção deve ser ajustada a demanda do mercado.

– Uso de controle visual em todas as etapas de produção como forma de acompanhar e controlar o processo produtivo.

– Implantação do sistema de qualidade total em todas as etapas de produção. Além da alta qualidade dos produtos, busca-se evitar ao máximo o desperdício de matérias-primas e tempo.

– Aplicação do sistema Just in Time, ou seja, produzir somente o necessário, no tempo necessário e na quantidade necessária.

– Uso de pesquisas de mercado para adaptar os produtos às exigências dos clientes.

 Percebe na pratica quais são as principais diferenças do Sistema de Produção Fordistas para o Sistema de Produção Toyotista assistindo o vídeo abaixo:

 

Consequências negativas do Toyotismo no Mundo do Trabalho

À medida que a implantação do sistema toyotista foi se ampliando no mundo do mercado industrial, mais notória foi a desregulamentação das condições e dos direitos trabalhistas. Ao contrário do fordismo, em que um trabalhador realizava somente uma única função, agora um mesmo trabalhador é responsável por funções diversas, executando-as conforme as necessidades da empresa. Em razão dessa flexibilidade, o toyotismo passou a ser chamado também de acumulação flexível.

Além disso, observou-se um aumento das terceirizações no processo de produção, pois se tornou mais barato pagar outra empresa para fazer um determinado serviço do que uma única corporação comandar todo o processo produtivo. Isso ampliou o aumento do desemprego e da formação do exército de reserva de trabalhadores, proporcionando a diminuição média dos salários e o aumento da precarização do trabalho.

Ética Protestante e Espirito do Capitalismo – Max Weber .

Em “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo’, Weber discorre sobre a relevância da reforma protestante para a formação do capitalismo moderno, de modo que relaciona as doutrinas religiosas de crença protestante, para demonstrar o surgimento de um modus operandi de relações sociais, que favorece e caracteriza a produção de excedentes, gerando o acúmulo de capital.

Há de se dizer, então, que o mundo outrora dominado pela religião católica, era também concebido a partir da cultura por ela promulgada. Isso quer dizer que o modo de vida pregado no catolicismo, era propagado para além dos limites da Igreja, perpassando a vida dos sujeitos. Entretanto, o catolicismo condenava a usura, e pregava a salvação das almas através da confissão, das indulgências e da presença aos cultos. Desta forma, o católico enxergava o trabalho como modo de sustentar-se, mas não via prescrição em também divertir-se, buscando modos de lazer nos quais empenhava seu dinheiro, e produzindo apenas para seu usufruto. Menos temerário ao pecado que o protestante, e impregnado pela proibição da usura, o católico pensava que pedir perdão a seu Deus seria suficiente para elevar-se ao “reino dos céus”. Assim, seguindo esta cultura religiosa, a acumulação de bens não encontrou caminhos amplos, e permaneceu adormecida.

Contudo, com o advento do protestantismo, a doutrina – e portanto, a cultura – católica modificou-se, e a salvação passou a ser para alguns, não mais passível de ser conquistada, mas sim uma providência divina, onde o trabalho era meio crucial para glorificar-se. Para o protestante, o trabalho enobrece o homem, o dignifica diante de Deus, pois é parte de uma rotina que dá às costas ao pecado. Durante o período em que trabalha, o indivíduo não encontra tempo de contrariar as regras divinas: não pratica excessos, não cede à luxúria, não se dá a preguiça: não há como fugir das finalidades celestiais. E, complementando toda a doutrina protestante, ainda é crucial pontuar que nesta religião não há espaço para sociabilidade mundana, pois todo o prazer que se põe a parte da subserviência a Deus, fora considerado errado e abominável. Assim, restava a quem acreditava nestas premissas, o trabalho e a acumulação, já que as horas estendidas na produção excediam as necessidades destes religiosos, gerando o lucro.

Portanto, quando se fala em uma concepção tradicional de trabalho, trata-se da concepção católica, que não acumulava e pensava o trabalho como meio de garantir subsistência. Já a concepção que vê o trabalho como fim absoluto, é a protestante, que enxerga no emprego de esforços produtivos a finalidade da própria existência humana, interligada com os propósitos providenciais de Deus.

Esta mudança no comportamento social, além do choque de culturas exposto nos parágrafos acima, suscita uma abrupta mudança no cenário econômico. Isso decorre do seguinte ciclo: O católico trabalha para viver, o protestante vive para trabalhar. O protestante gera excedente, e o acumula, investindo-o em cadernetas de poupança, gerando lucro. A finalidade protestante é salvar-se, e se o trabalho é salvador, empregar outros auxilia na salvação alheia. Logo, o protestante é dono dos meios de produção, detém os funcionários e acumula cada dia mais excedentes, gerando mais capital. E assim, a gênese do capitalismo moderno é concebida.

Conclui-se, portanto, que a cultura – segundo Weber um modo de ser que detém as práticas –  ao ser modificada, gera novos costumes, um comportamento inusitado, que embora não tivesse como objetivo estabelecer uma nova ordem econômica, e sim moral, passa a sustentar a essência do sistema.

Acesse aqui para ver apresentação de PowerPoint  

Assista Aulas sobre o Livro ” Ética Protestante e Espirito do Capitalismo ”

 

A “nova classe média” e o crescimento das igrejas evangélicas

A “nova classe média” e o crescimento das igrejas evangélicas

Um espectro ronda o Brasil. É o espectro do evangelismo. Parafraseando o velho Marx, é mais ou menos esse o cenário em que vivemos atualmente, quando as religiões pentecostais conquistaram 22,2% da população brasileira, um dado que contrasta com apenas os 5,2% em 1970 (Censo Demográfico, IBGE, 2010). Foi a partir dessa década que foram fundadas as principais igrejas evangélicas do país, a começar pela Igreja Universal do Reino de Deus (1977) que, apesar de não ser a pioneira, inaugurou um novo perfil de religião (o neopentecostalismo).

Sabe-se também que o florescimento do evangelismo foi acompanhado de um declínio da religião até então predominante: o catolicismo. Se em 1970, 91,8% dos brasileiros se declaravam católicos, hoje eles compõem 64,6%, uma queda vertiginosa. Em recente pesquisa, Marilene de Paula (2013) destaca que fatores como o baixo crescimento de paróquias, a falta de padres, a migração do rural para o urbano (que desenraizou a população daquela tradicional igrejinha do interior) e a precariedade da vida urbana nos setores populares são essenciais para se entender o fenômeno evangélico.

As religiões evangélicas, sobretudo as pentecostais, têm ganhado maior espaço na atualidade e já angariaram 22,2%  da população brasileira.

Para além da conquista de adeptos, a onda pentecostal tem avançado sobre outros terrenos. Os meios de comunicação em massa, por exemplo, são grandes aliados. Atualmente 10% do mercado editorial brasileiro é de literatura religiosa, seja católica ou evangélica, e a chamada “música gospel” abocanha uma fatia 20% do mercado fonográfico. Já no Congresso Nacional, temos 71 deputados e três senadores explicitamente filiados a tendências evangélicas, espalhados por 16 partidos, com concentração nos de centro-direita (PAULA, 2013).

No conjunto da sociedade, a onda pentecostal dialoga diretamente com o fenômeno que ficou conhecido como “nova classe média”, isto é, um segmento que hoje chega a compor 54% da população brasileira cuja renda mensal se encontra na faixa entre R$ 1.200 e R$ 5.174 (BARTELT, 2013), um setor que, a despeito do qualificativo “classe média”, tem suas condições de vida ancoradas naquilo que tradicionalmente designa uma camada popular (moradia inadequada, escolaridade baixa, crédito limitado, serviços públicos ineficientes), só que com uma renda um pouco mais elevada, o que os permite maior acesso aos bens de consumo.

O crescimento do evangelismo está relacionado às periferias e ao fenômeno de expansão da chamada  "nova classe média".

É no vácuo desse conjunto emergente da população que as religiões evangélicas mergulham. A maioria dos adeptos do neopentecostalismo se encontra na periferia das cidades, 63,7% não ganha mais que um salário mínimo, 8,6% é analfabeta e 42,3% possui o ensino fundamental incompleto. Já nos setores médios, o evangelismo é menos presente porque enfrenta maior concorrência com o nosso legado católico e com as religiões espíritas, sobretudo kardecistas.

O que faz, então, com que o “povão” seja tão afeito ao evangelismo? Em vez de adotar uma postura arrogante, que imputa sobre as camadas populares o adjetivo de “massa ignorante”, é válido compreender o seu contexto. Como qualquer um que se incomoda com Feliciano, Malafaia e sua tchurma, o impulso seria ofender seus adeptos. No entanto, há indícios de que esses trastes não representam o conjunto da população evangélica. Há quem questione, a título de curiosidade, se Edir Macedo é realmente evangélico…

Marco Feliciano: esse e outros trastes, felizmente, não representam o que é, de fato, o fenômeno evangélico no Brasil.

À parte dessa reflexão, pode-se afirmar que o crescimento do evangelismo está relacionado a novas formas de pregação, as quais incluem a evangelização ativa, que procura dialogar com problemas materiais que os fiéis encontram na sua vida aqui e agora. Ao contrário do catolicismo ou do tradicional pentecostalismo – muito mais centrados na noção ascetista de que se poupa na vida presente para se obter mais da vida futura -, o neopentecostalismo tem como ponto de partida a situação que se vive hoje, com seus obstáculos ordinários (doenças, contas a pagar e problemas de relacionamento) e a proposta de soluções imediatas. Insere-se, inclusive, dentro da lógica imediatista da sociedade globalizada e de consumo.

“Os neopentecostais utilizarão em sua prédica os ensinamentos da Teologia da Prosperidade”, enfatiza Marilene de Paula (2013, p. 129), “na qual ter bens materiais, ser saudável, não ter grandes problemas financeiros ou de outra ordem mostra sua fé e como Deus está atuando em sua vida”. Em última análise, tal fenômeno tem levado ao enriquecimento das igrejas, que cobram “coisas materiais” (dízimo e ofertas) em troca de “coisas materiais”. Trata-se de uma relação comercial da própria fé.

Em vez de se basear no princípio do ascetismo, que cobra da vida presente para se devolver no futuro, o neopentecostalismo age ativamente no discurso do aqui e do agora.

E a abordagem moralista dos pastores, em suas posturas contrárias ao casamento igualitário, aborto, sexo antes e fora do casamento, consumo de drogas etc, cabe a uma função socializadora que fornece uma referência moral em meio a um contexto no qual gravidez não planejada, tráfico de drogas e violência são parte do cotidiano. Na igreja, ao menos, tem-se um ambiente onde se cria laços fraternais e de interesse, se aprende certas habilidades (tocar um instrumento, cantar no coral), tem-se aulas de religião. Essas instituições acabam por atuar, como destaca Jessé Souza (2013), na criação de uma ética (ser trabalhador, honesto, disciplinado).

Para um grupo que recentemente tem ascendido – em vista do desenvolvimento socioeconômico, do aumento real do salário mínimo, dos programas de transferência de renda (Bolsa Família) – esse discurso pode fazer muito sentido, sobretudo quando um dos poucos indicadores que avançam é a renda média, enquanto a oferta de serviços públicos (saúde, educação, transporte) continua precária, forçando essa população a ter que “se virar” na periferia da cidade, com filhos para criar e vivendo em condições ainda indesejadas.

Consome-se bens porque é isso que a renda permite e, quando dá, a possibilidade de adquirir um carro, pagar uma escola particular ou um plano de saúde, ao passo que a religião de caráter neopentecostal, cuja fé é igualmente uma mercadoria, entra na mesma onda e traz ganhos àquela população, apesar de todo o enriquecimento dos pastores e o espaço que eles têm ganhado na mídia e na política para impor uma agenda conservadora. É um fenômeno complicado de se lidar, mas que está apontando para a precariedade da vida urbana no Brasil e para o mito da “nova classe média”.

Fonte : https://ensaiosdegenero.wordpress.com/2013/10/24/a-nova-classe-media-e-o-crescimento-das-igrejas-evangelicas/