Arquivo da categoria ‘Gênero Social e Sexo Biologico’

 

Pagu

Mexo, remexo na inquisição
Só quem já morreu na fogueira
Sabe o que é ser carvão

Eu sou pau prá toda obra
Deus dá asas à minha cobra
Hum! Hum! Hum! Hum!
Minha força não é bruta
Não sou freira
Nem sou puta…

Porque nem!
Toda feiticeira é corcunda
Nem!
Toda brasileira é bunda
Meu peito não é de silicone
Sou mais macho
Que muito homem     2X

Sou rainha do meu tanque
Sou Pagu indignada no palanque
Hanhan! Ah! Hanran!
Uh! Uh!
Fama de porra louca
Tudo bem!
Minha mãe é Maria Ninguém
Uh! Uh!…

Não sou atriz
Modelo, dançarina
Meu buraco é mais em cima
Refrão  3X

Ai, Que Saudades da Amélia

Mário Lago

Nunca vi fazer tanta exigência

Nem fazer o que você me faz

Você não sabe o que é consciência

Nem vê que eu sou um pobre rapaz

Você só pensa em luxo e riqueza

Tudo o que você vê, você quer

Ai, meu Deus, que saudade da Amélia

Aquilo sim é que era mulher

 

Às vezes passava fome ao meu lado

E achava bonito não ter o que comer

Quando me via contrariado

Dizia: “Meu filho, o que se há de fazer!”

Amélia não tinha a menor vaidade

Amélia é que era mulher de verdade

Atividade

 

  1. Na  música “Pagu” quais são os valores questionado como relação a como a sociedade espera que a mulher se comporte?

 

  1. O que Rita lee quis dizer no seguinte trecho:

Minha força não é bruta
Não sou freira
Nem sou puta…

  1. Qual a diferença  da  Amélia ( Musica ai que saudade da Amélia)  para a mulher representada na musica Pagu  ?
  2. Nos dias atuais qual é o perfil de mulher mais encontrado “Amélia” ou” Pagu”? Explique sua resposta.

 

Quem Foi Pagu ?

Patrícia Rehder Galvão, conhecida pelo pseudônimo de Pagu, (São João da Boa Vista, 9 de junho de 1910 — Santos, 12 de dezembro de 1962) foi uma escritora e jornalista brasileira. Militante comunista , teve grande destaque no movimento modernista iniciado na década de 20.Pagú presencia, ainda que muito jovem – tinha à época 12 anos – a Semana de Arte Moderna de 1922 e o início do movimento modernista, do qual mais tarde iria participar. Em 1925, com quinze anos, passa a colaborar no Brás Jornal, assinando Patsy.

 

Com 18 anos, mal completara o Curso na Escola Normal da Capital, em São Paulo e já está integrada ao movimento antropofágico, de cunho modernista, sob a influência de Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral. É logo considerada a musa do movimento.

Em 1935 é presa em Paris como comunista estrangeira, com identidade falsa, e é repatriada para o Brasil;. Separa-se definitivamente de Oswald, retoma a atividade jornalística, mas é novamente presa e torturada, ficando na cadeia por cinco anos.

Gênero e desigualdade

“Um caminho dentro da Sociologia para se analisar “as origens das diferenças de gênero é estudar a socialização do gênero, a aprendizagem de papéis do gênero com o auxílio de organismos sociais, como a família e a mídia. Essa abordagem faz distinção entre sexo biológico e gênero social – uma criança nasce com o primeiro e desenvolve o segundo. Pelo contato com vários organismos sociais, tanto primários como secundários, as crianças internalizam gradualmente as normas e as expectativas sociais que são percebidas como correspondentes ao seu sexo. As diferenças de gênero não são biologicamente determinadas, são culturalmente produzidas. De acordo com essa visão, as desigualdades de gênero surgem porque homens e mulheres são socializados em papéis diferentes.” Na socialização do gênero “meninos e meninas são guiados por “sanções” positivas e negativas, forças socialmente aplicadas que recompensam ou restringem o comportamento. Por exemplo, um menino poderia ser sancionado positivamente em seu comportamento (“Que menino valente você é!”), ou ser alvo de sanções negativas (“Meninos não brincam com bonecas”). Essas afirmações positivas e negativas ajudam meninos e meninas a aprender os papéis sociais esperados e a adequar-se a eles.”

Essa interpretação dos papéis sexuais e da socialização foi criticada e muitos escritores argumentam que “a socialização de gênero não é por si mesma um processo tranqüilo: diferentes organismos como a família, as escolas e outros núcleos de agrupamento talvez estejam em divergência com outros.

Além disso, as teorias de socialização ignoram a capacidade dos indivíduos de rejeitar ou modificar as expectativas sociais acerca dos papéis sexuais.”… “Embora convenha nutrir certo ceticismo com relação a qualquer adoção indiscriminada da abordagem que postula os papéis dos sexos, muitos estudos mostram que, em certa medida, as identidades de gênero são resultados de influências sociais”.

“As influências sociais na identidade de gênero fluem por meio de diversos canais;”… “ Estudos sobre as interações entre pais e filhos, por exemplo, mostram diferenças distintas no tratamento de meninos e meninas, mesmo quando os pais acreditam que suas reações para ambos sejam iguais. Os brinquedos, os livros ilustrados e os programas de televisão experienciados por crianças tendem a enfatizar diferenças entre os atributos masculinos e femininos. Embora a situação, de alguma forma, esteja mudando, os personagens masculinos em geral superam em número os femininos na maior parte dos livros infantis, contos de fadas, programas de televisão e filmes. Os personagens masculinos tendem a representar papéis mais ativos e aventurosos, enquanto os femininos são retratados passivos, esperançosos e voltados à vida doméstica. Pesquisadoras feministas demonstraram como produtos culturais e de mídia, comercializados para audiências jovens, encarnam atitudes tradicionais para com o gênero e os tipos de objetivos e ambições esperados em meninos e meninas.”

1.Qual a diferença entre sexo biológico e gênero social?

2.O que o autor quer dizer quando afirma que as crianças nascem com um sexo biológico e desenvolvem ao longo de sua vida um gênero social?

3.Segundo o texto como são produzidas as diferenças de gênero?

4.Qual o papel dos pais na formulação desigualdade entre os  gênero social?                                                                    

5.Qual o papel da mídia (radio, tv, filmes) na formulação da  desigualdade entre os  gênero social?                 

Leila Diniz

ENTREVISTA DE LEILA DINIZ AO JORNAL ” O PASQUIM

por A Cozinha de Notícias, quarta, 12 de Outubro de 2011 às 11:31 ·

O pessoal da Unibam ficou chocado com a moça do curso de turismo que foi para a aula com um mini vestido, não tão mini assim, como declarou a própria promotora pública que está cuidando do caso e outras alunas que presenciaram o fato, isso em pleno final da primeira década do século XXI,imagina se tivesse conhecido uma mulher chamada Leila Diniz que que quebrou todos os tabus femininos, na segunda metade do século passado.

Foi a primeira mulher a exibir, com orgulho, a sua barriga, grávida da filha Janaína, quando todas as outras teimavam em cobrí-las.

A dispensar o soutien, a exemplo da feminista Beth Friedman, a lidar com nós homens de igual para igual e dizer: Eu não sou feminista.Eu sou feminina.O erro de nós mulheres é que quando os homens começaram a lutar pelo lazer, nós começamos a lutar pelo trabalho.

É por esse motivo que abrimos esse blog com a célebre entrevista que Leila deu ao Pasquim, logo depois do AI 5, em plena Ditadura Militar, e que desbundou os militares de plantão.

SERGIO CABRAL. Qual é o autor com quem você gosta de trabalhar?

LEILA. Paulo José. Essa é mole de responder.

TARSO DE CASTRO. Seu primeiro filme foi o do Domingos não foi?

LEILA. Todo mundo pensa que, de repente o Domingos botou essa mulherzinha lá pra trabalhar e foi a glória da vida. E realmente o Domingos foi a glória da vida, foi porreta paca fazer o filme. Mas antes eu fiz dois filmes: aquele alucinante “O mundo alegre de Helô” e um da Silvia Piñal, do Alcoriza. Um que fazia a empregadinha. Como é que chama? Do Luiz Alcoriza, aquele cara que foi assistente do Buñuel. O filme era uma (*) incrível. O nome era “Jogo Perigoso”. Tinha dois episódios e eu fazia um deles. Quando Domingos resolveu fazer “Todas As Mulheres do Mundo”, eu já estava existindo mais como atriz.

TARSO. Mas você passou muito tempo sendo a mulherzinha do Domingos, professorinha, etc.

LEILA. Não foi muito tempo, não. Eu comecei com o Domingos lá por 62, fins de 61. Me lembrar de data é (*) pra mim. Eu era professora mas zoneava bastante por aí. Eu conheci o Domingos porque namorava um rapaz de teatro, o Luis Eduardo. Naquela época, ele estava fazendo a peça do Domingos. “Somos Todos do Jardim de Infância”. Eu estava voltando ao namorinho com o Luis Eduardo mas conheci o Domingos e dei aquela decisão. Durante a peça, eu já estava na do Domingos, não é? Daí a gente juntou, teve aquela zorra toda…Porque eu sou solteira, não é? Sou casada (*).b Eu fiquei com o Domingos sendo professora, e ainda estudando porque estava fazendo o clássico à noite. Eu ensinava de dia. Fiquei com o Domingos uns três anos, durante um ano e meio eu ainda era professora, depois já era atriz. Como a gente era muito duro, o Domingos escrevia para a “Manchete”; jornal (*) a quatro, escrevia peças e aquelas coisas, a gente não ganhava dinheiro nenhum e eu ganhava pouco também como professora, então fui fazer anúncio.. Trabalhei numa agência de modelo e fiz figuração de filme pra (*), aqueles filmes americanos todos alucinantes. Ganhava um dinheiro por fora. Não foi através do Domingos. Entrei fazendo ponta em Grande Teatro Tupi, Teatrinho Trol e etc. Puxa! Teatrinho Trol naquela época! Eu acho que estou ficando velha. Bem , aí fiz “Todas as Mulheres do Mundo”; quando a gente fez o filme, já estava separado.

TARSO. Você prefere fazer cinema ou novela de televisão? Porque cinema é meio chato, demorado.

LEILA. Que isso? Você está falando isso pra me provocar ou acha mesmo? Cinema é a glória. Olha, Tarso, às vezes , as pessoas gostam de dizer: isso não tem sentido. Eu gosto pra (*) de fazer novela e de fazer cinema. Pra mim, não tem a menor importância representar Shakespeare, Glória Magadan ou o que quer que for, desde que me divirta e ganhe dinheiro com isso.

JAGUAR. Você acha que teatro é um saco?

LEILA. Acho que teatro é um saco. Mas não posso dizer isso porque nunca fiz um troço porreta em teatro! Só fiz papelzinho, papel pequeno. Eu comecei em teatro. Eu comecei com a Cacilda. Ela veio ao Rio fazer “O preço de um Homem”, o Vaneau fez teste e eu fiz . Foi em 64. Eu vou fazer 5 anos de atriz.

JAGUAR. Com quantos anos você está?

LEILA.Vinte e quatro. Bem: eu entrei com a Cacilda. Quando entrei, eu não manjava muito da coisa. Entrei porque não tinha ninguém. Era muito fácil fazer teste: não tinha mais ninguém concorrendo. Entrei lá muito de alegre, chorava pra (*) em cada ensaio: “Não sei fazer isso, é (*), etc. Entrava em cena morrendo de pavor, mas acho teatro chato: aquela coisa de fazer toda a noite a mesma coisa. O que eu acho bacana em cinema e televisão é isso: eu me divirto muito, trabalhando. Geralmente, faço uma zona incrível onde eu trabalho e trabalho sempre com gente que eu gosto. O meu critério de escolha é esse: eu não escolho por peça, autor, diretor ou papel. Escolho pela patota e pelo que eu gosto. Por exemplo: Fiz um filme de cangaceiro agora e muita gente disse: que é isso Leila, filme de cançago, troço cafona, você é louca. Pois foi a glória da vida. Eu tinha o maior (*) de fazer filme de cangaço. Achei sensacional. Trabalhar com o Domingos, por exemplo, é divertidíssimo. “Todas as Mulheres” foi muito duro. A gente estava separado só um ano, ainda estava naquela fase de xingar: filho da (*), seu cornudo, foi você que foi culpado, não foi, foi você, aquela zorra.

http://www.semcortes.com/?p=131

O curta em questão tem como principal elemento a quebra da normalidade percebida, ao passo que coloca homens e mulheres em posições opostas as quais a sociedade atribuiu ao seu gênero. O vídeo é uma excelente oportunidade para discutir juntos aos educandos o papel da socialização primaria na construção dos gênero social e também sobre a desnaturalização dos papeis legados a homens e mulheres em uma sociedade machistas e patriarcal.

http://www.youtube.com/watch?v=HvQaqcYQyxU