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Sobre política e jardinagem

Publicado: junho 23, 2012 em Política

Rubem Alves*

Escrevo para você, jovem, para seduzi-lo à vocação política. Talvez haja um jardineiro adormecido dentro de você. De todas as vocações, a política é a mais nobre. Vocação, do latim “vocare”, quer dizer “chamado”. Vocação é um chamado interior de amor: chamado de amor por um “fazer”. No lugar desse “fazer” o vocacionado quer “fazer amor” com o mundo. Psicologia de amante: faria, mesmo que não ganhasse nada.

“Política” vem de “polis”, cidade. A cidade era, para os gregos, um espaço seguro, ordenado e manso, onde os homens podiam se dedicar à busca da felicidade. O político seria aquele que cuidaria desse espaço. A vocação política, assim, estaria a serviço da felicidade dos moradores da cidade.

Talvez por terem sido nômades no deserto, os hebreus não sonhavam com cidades; sonhavam com jardins. Quem mora no deserto sonha com oásis. Deus não criou uma cidade. Ele criou um jardim. Se perguntássemos a um profeta hebreu “o que é política?”, ele nos responderia: “A arte da jardinagem aplicada às coisas públicas”.

O político por vocação é um apaixonado pelo grande jardim para todos. Seu amor é tão grande que ele abre mão do pequeno jardim que ele poderia plantar para si mesmo. De que vale um pequeno jardim se a sua volta está o deserto? É preciso que o deserto inteiro se transforme em jardim.

Amo a minha vocação, que é escrever. Literatura é uma vocação bela e fraca. O escritor tem amor, mas não tem poder. Mas o político tem. Um político por vocação é um poeta forte: ele tem o poder de transformar poemas sobre jardins em jardins de verdade.

A vocação política é transformar sonhos em realidade. É uma vocação tão feliz que Platão sugeriu que os políticos não precisam possuir nada: bastar-lhes-ia o grande jardim para todos. Seria indigno que o jardineiro tivesse um espaço privilegiado, melhor e diferente do espaço ocupado por todos. Conheci e conheço muitos políticos por vocação. Sua vida foi e continua a ser um motivo de esperança.

Vocação é diferente de profissão. Na vocação a pessoa encontra a felicidade na própria ação. Na profissão o prazer se encontra não na ação. O prazer está no ganho que dela se deriva. O homem movido pela vocação é um amante. Faz amor com a amada pela alegria de fazer amor. O profissional não ama a mulher. Ele ama o dinheiro que recebe dela. É um gigolô.

Todas as vocações podem ser transformadasem profissões. Ojardineiro por vocação ama o jardim de todos. O jardineiro por profissão usa o jardim de todos para construir seu jardim privado, ainda que, para que isso aconteça, ao seu redor aumentem o deserto e o sofrimento. Assim é a política. São muitos os políticos profissionais. Posso, então, enunciar minha segunda tese: de todas as profissões, a política é a mais vil. O que explica o desencanto total do povo, em relação à política. Guimarães Rosa, questionado por Günter Lorenz se ele se considerava político, respondeu: “Eu jamais poderia ser político com toda essa charlatanice da realidade. Ao contrário dos ‘legítimos’ políticos, acredito no homem e lhe desejo um futuro. O político pensa apenasem minutos. Souescritor e pensoem eternidades. Eupenso na ressurreição do homem”. Quem pensa em minutos não tem paciência para plantar árvores. Uma árvore leva muitos anos para crescer. É mais lucrativo cortá-las.

Nosso futuro depende dessa luta entre políticos por vocação e políticos por profissão. O triste é que muitos que sentem o chamado da política não têm coragem de atendê-lo, por medo da vergonha de ser confundidos com gigolôs e de ter de conviver com gigolôs.

Escrevo para você, jovem, para seduzi-lo à vocação política. Talvez haja um jardineiro adormecido dentro de você. A escuta da vocação é difícil, porque ela é perturbada pela gritaria das escolhas esperadas, normais, medicina, engenharia, computação, direito, ciência. Todas elas são legítimas, se forem vocação. Mas todas elas são afunilantes: vão colocá-lo num pequeno canto do jardim, muito distante do lugar onde o destino do jardim é decidido. Não seria muito mais fascinante participar dos destinos do jardim?

Acabamos de celebrar os 500 anos do Descobrimento do Brasil. Os descobridores, ao chegar, não encontraram um jardim. Encontraram uma selva. Selva não é jardim. Selvas são cruéis e insensíveis, indiferentes ao sofrimento e à morte. Uma selva é uma parte da natureza ainda não tocada pela mão do homem.

Aquela selva poderia ter sido transformada num jardim. Não foi. Os que sobre ela agiram não eram jardineiros, mas lenhadores e madeireiros. Foi assim que a selva, que poderia ter se tornado jardim, para a felicidade de todos, foi sendo transformada em desertos salpicados de luxuriantes jardins privados onde poucos encontram vida e prazer.

Há descobrimentos de origens. Mais belos são os descobrimentos de destinos. Talvez, então, se os políticos por vocação se apossarem do jardim, poderemos começar a traçar um novo destino. Então, em vez de desertos e jardins privados, teremos um grande jardim para todos, obra de homens que tiveram o amor e a paciência de plantar árvores em cuja sombra nunca se assentariam.

Ética e Política

Publicado: maio 19, 2012 em Política

O Analfabeto Político

Bertolt Brecht

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

 

Questões sobre o texto

1. Por que o preço do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas?

2. Como você vê o fato de alguém odiar a política?

3. Quais as características de um analfabeto político?

4. Bertold Brecht também disse que “o pior de todos os bandidos é o político vigarista, pilantra…”. Como podemos interpretar essa afirmação do autor?

5. O que fazer quando ficamos sabendo que um político está agindo desonestamente?

Frase Para refletir sobre a escolha de nossos Candidatos nestas eleições.

“quem compra votos ou desvia recursos públicos para ser eleito anuncia a maneira incorreta como norteará seu mandato”.

“Todos sabemos que o candidato capaz de oferecer bens ou vantagens em troca de votos revela, por esse simples gesto, ser capaz de toda sorte de improbidades para atingir o poder. E se age assim durante a eleição, como agirá se for eleito?”

“Tudo deve começar, entretanto, pela convicção de que vender o voto não é um ato de “esperteza”, assim como o de votar efetivamente em quem compra votos não é sinônimo de “lealdade”. O que está em jogo nas eleições é o poder de liderar a comunidade e de definir o destino dos recursos públicos. Receber uma pequena oferta material e levar o corruptor ao comando de milhões de reais em verbas públicas não é uma atitude muito racional, não acha?

Questões

1.Você já testemunhou atos de compra de votos?

2.O candidato que pratica corrupção eleitoral poderá exercer honestamente

o seu mandato?

3.Como identificar candidatos que, se eleitos, desviarão o dinheiro público?

Em quem votar?

 

Pe. Carlos Alberto Chiquim

A sociedade brasileira está profundamente indignada com a falta de ética na política e com a corrupção generalizada. Aliás, a sociedade como um todo vive uma grave crise moral. Às vésperas das eleições assistimos tiroteios para todos os lados, acusações, denúncias e os tão conhecidos acordos para as definições de candidaturas. Em meio a tantas disputas faz-se necessário estabelecer critérios claros para orientar o discernimento dos eleitores.

A corrupção eleitoral ainda é um problema enraizado na mentalidade do nosso povo. Os eleitores carecem de educação para a cidadania. Muitos acham normal a troca do voto por algum favor do candidato. É preciso instalar uma nova consciência política iluminada pelo lema que mobilizou os movimentos sociais nos últimos anos: “voto não tem preço, tem conseqüências”.

Tal situação não deve ser causa de desesperança. Antes de tudo é necessário valorizar o voto que irá decidir a vida pública de nosso País e de nossos Estados nos próximos anos. O voto é precioso, não se compra. Nele se manifesta a liberdade e a decisão de cada eleitor. O compromisso com a constante superação da distorção da compra de votos, começando com as nossas práticas políticas, é um bom critério para eleger candidatos que ocuparão cargos públicos.

É fundamental o discernimento a respeito do perfil ético e das verdadeiras motivações daqueles que se apresentam como candidatos. Há algumas questões fundamentais: por que aspiram ao poder? Por que querem se manter no poder? Qual a prática do poder como serviço ao bem comum?

Os critérios desta escolha devem levar em consideração tanto a honestidade pessoal, quanto de competência administrativa, voltada aos interesses da coletividade. Os bons parlamentares e gestores públicos primam pelos compromissos honrados, sempre em estreita ligação com as necessidades reais da população. A transparência é fundamental na vida daquele que pleiteia ou exerce um cargo eletivo.

Faz-se necessário tomar cuidado com os candidatos despreparados em cujas plataforma camuflam interesses particulares ou de pequenos grupos. São os candidatos incapazes de apresentar metas claras de governo e políticas públicas consistentes. Nesse rol encontram-se os candidatos oportunistas, sem compromissos com partidos ou que utilizam as suas siglas para ganhar as eleições. Eles têm como prática a compra de votos, sem escrúpulos. Prometem favores, e por isso se transformam em líderes políticos hábeis e com longa experiência na arte de enganar os eleitores. Acostumam mal o povo, fazendo dele refém, dependente de esmolas e promessas de benefícios imediatos.

Diante desse contexto é bom desconfiar de candidatos sustentados por campanhas financeiras vultuosas que facilitam a compra de votos, pois eles podem tentar recuperar, de alguma forma, utilizado o seu mandato eletivo, o investimento realizado.

Aspectos que merecem atenção especial são informações sobre o candidato: quem são eles, sua origem política, o que já realizaram em prol da população, qual é a sua história, quais são suas propostas, se estão vinculadas ao programa do Partido ou se estão atreladas apenas a grupos de interesses financeiros. Sinais indicadores de verdadeiras motivações dos candidatos são a honestidade e a competência demonstradas pelos serviços prestados com transparência administrativa e financeira.

A próxima eleição será uma excelente oportunidade para garantirmos vida com dignidade para toda a população. O direito do voto exercido com cidadania é a força transformadora da sociedade. Até quando ficaremos reféns de grupos que dominam o poder e exercem mandatos eletivos pensando, apenas, nos interesses pessoais e corporativos? A sociedade brasileira é chamada a participar. A valorizar seu voto. A eleger pessoas que defendam os interesses da nação brasileira. Somente ampliando as formas de participação de cidadãos e cidadãs, construiremos uma nação livre, democrática e autônoma, nos níveis estaduais e nacionais.

 

Questões sobre o texto

1. Segundo o texto. Qual o comportamento do eleitor brasileiro deve ser desestimulado? Por que?

2. Segundo o autor, por que o nosso voto deve ser valorizado? Você concorda com ele?

3. Ainda segundo o texto, quais são os critérios que devem ser utilizado para escolher nossos candidatos?

4. Qual o perfil do candidato deve ser evitado, na hora do voto?

5. Quais são as informações que devem ser observadas sobre nossos  candidatos?

 

 

 Existe alguma confusão entre o Conceito de Moral e o Conceito de Ética. A etimologia destes termos ajuda a distingui-los, sendo que Ética vem do grego “ethos” que significa modo de ser, e Moral tem sua origem no latim, que vem de “mores”, significando costumes.

Esta confusão pode ser resolvida com o estudo em paralelo dos dois temas, sendo que Moral é um conjunto de normas que regulam o comportamento do homem em sociedade, e estas normas são adquiridas pela educação, pela tradição e pelo cotidiano. É a “ciência dos costumes”. A Moral tem caráter normativo e obrigatório.

Já a Ética é “conjunto de valores que orientam o comportamento do homem em relação aos outros homens na sociedade em que vive, garantindo, assim, o bem-estar social”, ou seja, Ética é a forma que o homem deve se comportar no seu meio social.

A Moral sempre existiu, pois todo ser humano possui a consciência Moral que o leva a distinguir o bem do mal no contexto em que vive. Surgindo realmente quando o homem passou a fazer parte de agrupamentos, isto é, surgiu nas sociedades primitivas, nas primeiras tribos. A Ética teria surgido com Sócrates, pois se exige maior grau de cultura. Ela investiga e explica as normas morais, pois leva o homem a agir não só por tradição, educação ou hábito, mas principalmente por convicção e inteligência. Ou seja, enquanto a Ética é teórica e reflexiva, a Moral é eminentemente prática. Uma completa a outra.

Ética no Brasil

 

“Na atual sociedade brasileira, muitos setores defendem a ética como se esta fosse a solução para todos os problemas brasileiros. Acontece, que no dia-a-dia, muitos daqueles que pregam a defesa da ética são os primeiros a desrespeitá-la. A todo momento, pessoas querem levar vantagem em relação as demais pessoas, seja nas pequenas coisas ou mesmo nas grandes coisas. A solução dos problemas brasileiros não está relacionada apenas com a observância da ética, mas também com a prática. As pessoas devem dar exemplo, ser exemplos, ao invés de ficarem apenas criticando, e na primeira oportunidade que tiverem fazerem o inverso daquilo que tem defendido”. Muda Brasil.

Questões sobre o texto:

  1. Segundo o texto o que é ética?
  2. Qual a diferencia entre ética e moral?
  3. Depois de ter lido o texto, explique com suas palavras o que é ser um cidadão ético?
  4. Quais são as atitudes que vedemos tomar para que sejamos um país ético?

 Só de Sacanagem – Elisa Lucinda

Meu coração está aos pulos!

Quantas vezes minha esperança será posta à prova?

Por quantas provas terá ela que passar? Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu, do nosso dinheiro que reservamos duramente para educar os meninos mais pobres que nós, para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.

Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova? Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?

É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.

Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam: “Não roubarás”, “Devolva o lápis do coleguinha”, “Esse apontador não é seu, minha filha”. Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar. Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará. Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda vou ficar.

Só de sacanagem! Dirão: “Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo mundo rouba” e vou dizer: “Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau.”

Dirão: “É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal”. Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal. Eu repito, ouviram? Imortal! Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente quiser, vai dar para mudar o final!

QUESTÕES

1.  De que realidade de nosso país este texto trata?

2. Como são colocados no texto os ensinamentos dos pais e em que diferem do comportamento do brasileiro de forma geral?

3.   Como a autora diz que vai se rebelar contra toda essa situação descrita no texto?

4.    Você entende a postura adotada pela autora como uma postura ética? Por que?

 

Sitema político Brasileiro

Publicado: maio 8, 2012 em Política